Escrever é um excelente remédio... Mas pode ser extremamente ácido pra quem lê.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
A DESPEDIDA OU UMA ÚLTIMA CRÔNICA DE FINAL DE ANO
quarta-feira, 1 de maio de 2013
NUNCA TEVE TÃO BÃO
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
MÃE
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O ENEAGRAMA OU SÓ MAIS UMA CRÔNICA DE FIM DE ANO
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Genesis 2, 18 - Ou mais uma crônica de fim de ano
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
DEUS CACAU
Se eu fosse fundar uma religião que definisse a nova ordem mundial, fundaria uma que aceitasse todos os seres humanos , independente de raça, costumes, origens ou time de futebol. Seria uma seita global, onde todos seriam aceitos, teriam suas vozes ouvidas e a todos seria garantido o acesso ao Paraíso. Haveria apenas uma exceção. Em meus templos, e da minha vida social, iria excluir os compulsivos comedores de chocolate, e a eles iria legar somente choro e ranger de dentes.
É cientificamente comprovado que o chocolate atua na liberação dos hormônios ocitocina e serotonina, responsáveis pelas sensações de prazer e bem estar. Estes hormônios também são liberados após o ato sexual. Algumas pessoas, principalmente mulheres, tem com o chocolate uma relação quase passional. As sensações provocadas pela ingestão de um Ferrero Roche podem ser descritas quase como um orgasmo. Um marido que, ao chegar em casa, pega sua mulher atacando uma barra de chocolates Garoto pode acusá-la de pedofilia e traição. Portanto, pela incontrolabilidade da compulsão de comer chocolates, em meu mundo virtualmente perfeito, os chocólatras seriam banidos.
Imagino muitos leitores se indagando nesse momento: “mas qual é o pecado que existe em comer chocolate?” De fato, o questionamento é válido. Ser chocólatra não é o que define o caráter e as virtudes de uma pessoa. Você acorda todos os dias pela manhã, trata bem seus familiares, trabalha, paga seus impostos, é generoso com os amigos e vizinhos, evita fofocas, faz exercícios físicos, estuda, recicla seu lixo, faz tudo direitinho, ou quase tudo, mas o que faz com uma barra de Talento joga por terra todas as suas virtudes, e você é classificado como pária social por causa do relativismo injusto de alguns.
Se ao invés de chocólatras eu tivesse dito que deixaria de fora os homossexuais, acredito que muitos teriam concordado logo de cara que a eles eu deveria de fato negar o Reino dos Céus. Acontece que, assim como os chocólatras, os homossexuais acordam pela manhã, tratam bem seus familiares, trabalham, pagam impostos, são generosos com os amigos e vizinhos, evitam fofocas e etc. etc. etc... Ou não. Alguns tratam mal seus amigos e familiares, causam intrigas, são invejosos, maliciosos, promíscuos... Assim como muitos heterossexuais. Querer classificá-los, rotulá-los como uma classe à parte, definindo seus modos e comportamentos, é de um reducionismo burro que só pode se submeter pessoas extremamente pouco esclarecidas que acham que uma pessoa pode ser definida pelo que faz sexualmente. E na ânsia de ficar exultando as maravilhas das virtudes cristãs, muitas pessoas esquecem de que a mesma Bíblia que combatia o homossexualismo era a favor de guerras em nome de Deus, defendia a escravidão e ordenava que os infiéis arrancassem fora seus olhos se eles o fizessem pecar.
Tenho uma relação muito pessoal com Deus, mas tenho muita pena de quem acha que umas poucas mil páginas escritas a mais de dois mil anos atrás podem conter todas as verdades do Universo, e por conhecerem de cor alguns versículos soltos e descontextualizados, saem pelas ruas e pelas redes sociais emulando o comportamento dos fariseus que o Deus deles tanto combateu. No meio de suas rodinhas, batem no peito e se dizem os maiores pecadores, mas em sociedade não conseguem se misturar às pessoas que não compartilham com eles das mesmas “verdades”. Parafraseando André Gide, eu realmente creio naquelas pessoas que buscam a verdade, mas duvido dos que a encontraram. Pois se esse a quem chamam de Deus é tudo mesmo que dizem, Ele nos deu inteligência suficiente pra questionar, duvidar, colocar o dedo no nariz Dele e dizer: PROVA!! Isso não diminui sua divindade, se foi Ele quem nos fez, está preparado pra isso. Ele não vai ficar sofrendo e chorando como gostamos de imaginar que a cada queda nossa ele sofre junto conosco. Se ele controla nosso destino, não precisa sofrer, a não ser que seja masoquista. Se tudo o que acontece está nas mãos Dele, por quê então diabos um cara passa onze meses estudando para um vestibular para ser aprovado e morrer atropelado por uma manada de búfalos na semana seguinte, sem ao menos ingressar na faculdade?
São estes questionamentos que sempre me pego fazendo, sem o menor sentimento de culpa ou temor por castigos divinos. Infelizmente por isso, ou talvez graças a isso, não consigo me encontrar em nenhum grupo religioso. Em compensação, durante toda a minha vida, fiz amigos entre os homossexuais, prostitutas e intelectuais, sem que pra isso eu tenha que ter me tornado homossexual, me prostituído ou ficado mais inteligente... Isso simplesmente porque eu gosto de pessoas boas. Cada um traz dentro de si o que acha que são pessoas boas, e elas estão por toda a parte, assim como as pessoas más, elas podem ser encontradas tanto nas igrejas quanto nas zonas de prostituição, tanto entre os atleticanos quanto entre os cruzeirenses, ou entre os evangélicos e os espíritas.
Quando levanto as mãos pro alto e agradeço a Deus pela sorte que tenho: profissão, filha, emprego, família, amigos, faculdade eu penso: então qual deveria ser a atitude daqueles que não tem nada disso? Ódio? Revolta? Afinal de contas, não fiz necessariamente nada para Deus para merecer o que tenho... fiz por mim e para mim mesmo. O que me torna especial? O que torna outras pessoas menos especiais? Ter pernas, olhos e saúde enquanto outros não tem... é vontade de Deus? Por que as coisas boas que acontecem no mundo são obras de Deus, e as desgraças são culpa nossa?
Descobrir Deus é muito bom, mas não se faz isso sem passar pelas coisas que Ele criou. Limitar sua inteligência para deixar tudo nas mãos Dele é devolver uma responsabilidade que Ele já deixou pra você. Se vira. Ele não quer que deixemos de lado nossa inteligência, nossa criatividade, nossas dúvidas, em troca de uma fé cega, uma fé em nada... Deus não faz isso. Quem está dizendo isso são homens ignorantes, ou por ingenuidade ou por malícia.
E se ainda tiver dúvidas, pode comer seu chocolate à vontade. A não ser que você seja alérgico a tal iguaria, nada de mal pode lhe acontecer, além de uns quilinhos a mais... e muito prazer, é claro! Se não acredita, questione, e prove o contrário.
Até meu próximo post.
Gustavo Jonathan Costa
“Porque a vida vale a pena HOJE!”
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Never give up!!!
Na correria do dia-a-dia eu fico imaginando qual será a última vez em que me atrevo a postar mais uma crônica nesse meu blog. Se as vertentes do Naturalismo estiverem corretas, é fato que o homem é determinado pelo meio onde vive, e no mundo das ciências exatas, é mais fácil calcular integrais do que voltar pra mim mesmo e traduzir em palavras o que se encontra na alma humana. Mas algumas características são essenciais, transcendem qualquer determinismo, e ainda que sejam raras minhas aventuras neste blog, elas podem tender a zero sem nunca serem iguais a zero.
O tempo passa e a vida deixa marcas nas pessoas. Sempre achei que isso fosse uma metáfora, mas é um fato. E não falo somente de rugas, estrias e pés de galinha, ou barrigas de chope. Minha filha tem só seis anos, e seus olhos já são muito diferentes dos que ela tinha aos dois e três. Ela já tem maturidade pra saber que os pais dela falham, e falharam com ela quando não souberam manter viva a união de sua família. Ela sabe que pode ser castigada quando diz a verdade, mesmo quando insistimos que ela deve sempre dizer o que pensa e sente. Sabe que não adianta chorar e implorar pra não ser “abandonada” numa escola cheia de pessoas estranhas, porque ela vai ser deixada lá de qualquer jeito... E cada decepção, cada estrago, diminui um pouco aquele brilhinho que ela carregava ao nascer, aquela inocência...
Quando vejo minhas fotos de infância, reconheço quase tudo em mim: as mãos, o nariz, o cabelo... exatamente como são agora (com mais pêlos hoje, diga-se de passagem). Mas os olhos, aah... mudaram muito. É praticamente impossível emular aquelas expressões, elas vinham de uma alma que ainda não sabia o que era se decepcionar com as falhas dos pais, dos amigos, dos colegas de trabalho e principalmente com as minhas próprias...
Eram olhos de quem não sabia ou não precisava lidar com perdas...
Perder é uma das lições mais duras e mais valiosas da vida. A experiência da morte, de perder pessoas queridas, de perder um amor, de perder um ano escolar, nos massacra, oprime, e nada há que nos faça recuperar o que perdemos. Se não sobrevivemos, nos perdemos também, mas o processo de sobrevivência exige algo de nós, e o preço é parte do brilho que carregávamos quando nascemos.
Felizmente, perder o brilho não nos faz mais fracos, pelo contrário. Cada vez que sobrevivemos, nos tornamos mais fortes. E serenos. Sobreviver é acreditar na vida. Porque se lutamos pra sobreviver é porque acreditamos que existe algo de bom pelo que vale a pena continuar tentando. E ainda que as marcas da decepção se salientem em nossos rostos, nosso sorriso se torna cada vez mais sincero, mais valioso, mais saboroso.
Sempre desdenhei a importância que a televisão e os meios de comunicação dão à beleza estética, mas não posso deixar de comentar o quanto achei bonito ver o sorriso de Reinaldo Gianechinni após ter raspado os cabelos para enfrentar a luta contra o câncer. Ou mesmo o sorriso do ex-Presidente Lula. Porque só Deus (e quem assistiu o filme “O Filho do Brasil”) sabe o que esse homem, ou esses homens, já tiveram que enfrentar e que deixaram marcas, e que a essa altura da vida são coroadas com um diagnóstico tumoral.
A gente sempre acredita que, aos 30 anos, estaremos colhendo frutos do sucesso (a não ser que se esteja com 29 e já se saiba que a vida é um fracasso mesmo...). Muitas vezes, eu acho que fiz as escolhas erradas, principalmente quando me comparo ao restante da minha família, quando vejo onde meus irmãos mais novos puderam chegar. Ingressar em um curso de nível superior nessa idade, em ciências exatas, é conviver todo dia com o fracasso e a derrota. Diferente de um curso de Letras, ou daqueles passageiros encrenqueiros do ônibus lotado, em um bom curso de exatas não dá pra empurrar com a barriga. Como diz minha amiga Júlia: “ou você se entende com as exatas, ou desiste delas”.
Enfrentar, e superar, o fracasso diário que é cursar pelo terceiro semestre consecutivo as disciplinas de Cálculo I e Geometria Analítica não tem se mostrado tarefa fácil. É constrangedor, embora seja a realidade de muitos, e finalmente eu percebo que estou me envolvendo com as disciplinas, com a “idéia” da coisa. Estou adquirindo a maturidade necessária pra seguir em frente nesse caminho. Acho que esse é o ensinamento mais importante... Ou talvez o mais importante seja aprender a calcular área sobre gráficos e ortogonalizar vetores, e esse seja o segundo mais importante...
Se a vida não sorriu pra mim durante todos esses anos, ela me presenteou com uma filha muito especial, com amigos que posso contar nos dedos, mas que valem por uma tropa de elite, e com uma força de vontade que só consegue me guiar em direção ao alto e avante. Pois se existe um conceito que definitivamente estou abolindo do meu vocabulário é o de “desistir”. Acredito que a palavra “desistir” só devia vir acompanhada de “nunca”, da forma como dizia minha antiga professora de inglês, quando ficou sabendo que tinha sido demitida e não podia contar aos seus alunos, em sua última aula ela insistia: “Never give up!”
Meu irmão Leo acha que sou louco. Porque só um doidão de pedra mesmo desiste de uma carreira na área de humanas – pra qual é vocacionado – pra cursar exatas. Ou vice-versa. E eu sou doidão. De pedra. Daquelas duras mesmo. Sou daqueles caras que tempera feijão com mel (Rsrs... não foi metáfora). Porque eu sei onde quero chegar, e vou insistir nisso, ainda que tudo pareça querer dizer que é hora de desistir. Se eu fosse te dar algum conselho, leitor, diria pra nunca dizer a alguém que é hora de desistir. Os mineiros do Chile não desistiram. O meu Galo não desistiu. O América não desistiu. E o Cruzeiro (infelizmente...) também não vai desistir.
E se lutar sempre é a ordem do dia, que ela seja realizada com um maravilhoso sorriso no rosto, compartilhada com uma verdadeira tropa de elite, e coroada, se Deus quiser, com diagnósticos de saúde, sucesso e paz!
Até meu próximo post... porque também não desisto desse blog.
