Escrever é um excelente remédio... Mas pode ser extremamente ácido pra quem lê.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
MÃE
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O ENEAGRAMA OU SÓ MAIS UMA CRÔNICA DE FIM DE ANO
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Genesis 2, 18 - Ou mais uma crônica de fim de ano
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
DEUS CACAU
Se eu fosse fundar uma religião que definisse a nova ordem mundial, fundaria uma que aceitasse todos os seres humanos , independente de raça, costumes, origens ou time de futebol. Seria uma seita global, onde todos seriam aceitos, teriam suas vozes ouvidas e a todos seria garantido o acesso ao Paraíso. Haveria apenas uma exceção. Em meus templos, e da minha vida social, iria excluir os compulsivos comedores de chocolate, e a eles iria legar somente choro e ranger de dentes.
É cientificamente comprovado que o chocolate atua na liberação dos hormônios ocitocina e serotonina, responsáveis pelas sensações de prazer e bem estar. Estes hormônios também são liberados após o ato sexual. Algumas pessoas, principalmente mulheres, tem com o chocolate uma relação quase passional. As sensações provocadas pela ingestão de um Ferrero Roche podem ser descritas quase como um orgasmo. Um marido que, ao chegar em casa, pega sua mulher atacando uma barra de chocolates Garoto pode acusá-la de pedofilia e traição. Portanto, pela incontrolabilidade da compulsão de comer chocolates, em meu mundo virtualmente perfeito, os chocólatras seriam banidos.
Imagino muitos leitores se indagando nesse momento: “mas qual é o pecado que existe em comer chocolate?” De fato, o questionamento é válido. Ser chocólatra não é o que define o caráter e as virtudes de uma pessoa. Você acorda todos os dias pela manhã, trata bem seus familiares, trabalha, paga seus impostos, é generoso com os amigos e vizinhos, evita fofocas, faz exercícios físicos, estuda, recicla seu lixo, faz tudo direitinho, ou quase tudo, mas o que faz com uma barra de Talento joga por terra todas as suas virtudes, e você é classificado como pária social por causa do relativismo injusto de alguns.
Se ao invés de chocólatras eu tivesse dito que deixaria de fora os homossexuais, acredito que muitos teriam concordado logo de cara que a eles eu deveria de fato negar o Reino dos Céus. Acontece que, assim como os chocólatras, os homossexuais acordam pela manhã, tratam bem seus familiares, trabalham, pagam impostos, são generosos com os amigos e vizinhos, evitam fofocas e etc. etc. etc... Ou não. Alguns tratam mal seus amigos e familiares, causam intrigas, são invejosos, maliciosos, promíscuos... Assim como muitos heterossexuais. Querer classificá-los, rotulá-los como uma classe à parte, definindo seus modos e comportamentos, é de um reducionismo burro que só pode se submeter pessoas extremamente pouco esclarecidas que acham que uma pessoa pode ser definida pelo que faz sexualmente. E na ânsia de ficar exultando as maravilhas das virtudes cristãs, muitas pessoas esquecem de que a mesma Bíblia que combatia o homossexualismo era a favor de guerras em nome de Deus, defendia a escravidão e ordenava que os infiéis arrancassem fora seus olhos se eles o fizessem pecar.
Tenho uma relação muito pessoal com Deus, mas tenho muita pena de quem acha que umas poucas mil páginas escritas a mais de dois mil anos atrás podem conter todas as verdades do Universo, e por conhecerem de cor alguns versículos soltos e descontextualizados, saem pelas ruas e pelas redes sociais emulando o comportamento dos fariseus que o Deus deles tanto combateu. No meio de suas rodinhas, batem no peito e se dizem os maiores pecadores, mas em sociedade não conseguem se misturar às pessoas que não compartilham com eles das mesmas “verdades”. Parafraseando André Gide, eu realmente creio naquelas pessoas que buscam a verdade, mas duvido dos que a encontraram. Pois se esse a quem chamam de Deus é tudo mesmo que dizem, Ele nos deu inteligência suficiente pra questionar, duvidar, colocar o dedo no nariz Dele e dizer: PROVA!! Isso não diminui sua divindade, se foi Ele quem nos fez, está preparado pra isso. Ele não vai ficar sofrendo e chorando como gostamos de imaginar que a cada queda nossa ele sofre junto conosco. Se ele controla nosso destino, não precisa sofrer, a não ser que seja masoquista. Se tudo o que acontece está nas mãos Dele, por quê então diabos um cara passa onze meses estudando para um vestibular para ser aprovado e morrer atropelado por uma manada de búfalos na semana seguinte, sem ao menos ingressar na faculdade?
São estes questionamentos que sempre me pego fazendo, sem o menor sentimento de culpa ou temor por castigos divinos. Infelizmente por isso, ou talvez graças a isso, não consigo me encontrar em nenhum grupo religioso. Em compensação, durante toda a minha vida, fiz amigos entre os homossexuais, prostitutas e intelectuais, sem que pra isso eu tenha que ter me tornado homossexual, me prostituído ou ficado mais inteligente... Isso simplesmente porque eu gosto de pessoas boas. Cada um traz dentro de si o que acha que são pessoas boas, e elas estão por toda a parte, assim como as pessoas más, elas podem ser encontradas tanto nas igrejas quanto nas zonas de prostituição, tanto entre os atleticanos quanto entre os cruzeirenses, ou entre os evangélicos e os espíritas.
Quando levanto as mãos pro alto e agradeço a Deus pela sorte que tenho: profissão, filha, emprego, família, amigos, faculdade eu penso: então qual deveria ser a atitude daqueles que não tem nada disso? Ódio? Revolta? Afinal de contas, não fiz necessariamente nada para Deus para merecer o que tenho... fiz por mim e para mim mesmo. O que me torna especial? O que torna outras pessoas menos especiais? Ter pernas, olhos e saúde enquanto outros não tem... é vontade de Deus? Por que as coisas boas que acontecem no mundo são obras de Deus, e as desgraças são culpa nossa?
Descobrir Deus é muito bom, mas não se faz isso sem passar pelas coisas que Ele criou. Limitar sua inteligência para deixar tudo nas mãos Dele é devolver uma responsabilidade que Ele já deixou pra você. Se vira. Ele não quer que deixemos de lado nossa inteligência, nossa criatividade, nossas dúvidas, em troca de uma fé cega, uma fé em nada... Deus não faz isso. Quem está dizendo isso são homens ignorantes, ou por ingenuidade ou por malícia.
E se ainda tiver dúvidas, pode comer seu chocolate à vontade. A não ser que você seja alérgico a tal iguaria, nada de mal pode lhe acontecer, além de uns quilinhos a mais... e muito prazer, é claro! Se não acredita, questione, e prove o contrário.
Até meu próximo post.
Gustavo Jonathan Costa
“Porque a vida vale a pena HOJE!”
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Never give up!!!
Na correria do dia-a-dia eu fico imaginando qual será a última vez em que me atrevo a postar mais uma crônica nesse meu blog. Se as vertentes do Naturalismo estiverem corretas, é fato que o homem é determinado pelo meio onde vive, e no mundo das ciências exatas, é mais fácil calcular integrais do que voltar pra mim mesmo e traduzir em palavras o que se encontra na alma humana. Mas algumas características são essenciais, transcendem qualquer determinismo, e ainda que sejam raras minhas aventuras neste blog, elas podem tender a zero sem nunca serem iguais a zero.
O tempo passa e a vida deixa marcas nas pessoas. Sempre achei que isso fosse uma metáfora, mas é um fato. E não falo somente de rugas, estrias e pés de galinha, ou barrigas de chope. Minha filha tem só seis anos, e seus olhos já são muito diferentes dos que ela tinha aos dois e três. Ela já tem maturidade pra saber que os pais dela falham, e falharam com ela quando não souberam manter viva a união de sua família. Ela sabe que pode ser castigada quando diz a verdade, mesmo quando insistimos que ela deve sempre dizer o que pensa e sente. Sabe que não adianta chorar e implorar pra não ser “abandonada” numa escola cheia de pessoas estranhas, porque ela vai ser deixada lá de qualquer jeito... E cada decepção, cada estrago, diminui um pouco aquele brilhinho que ela carregava ao nascer, aquela inocência...
Quando vejo minhas fotos de infância, reconheço quase tudo em mim: as mãos, o nariz, o cabelo... exatamente como são agora (com mais pêlos hoje, diga-se de passagem). Mas os olhos, aah... mudaram muito. É praticamente impossível emular aquelas expressões, elas vinham de uma alma que ainda não sabia o que era se decepcionar com as falhas dos pais, dos amigos, dos colegas de trabalho e principalmente com as minhas próprias...
Eram olhos de quem não sabia ou não precisava lidar com perdas...
Perder é uma das lições mais duras e mais valiosas da vida. A experiência da morte, de perder pessoas queridas, de perder um amor, de perder um ano escolar, nos massacra, oprime, e nada há que nos faça recuperar o que perdemos. Se não sobrevivemos, nos perdemos também, mas o processo de sobrevivência exige algo de nós, e o preço é parte do brilho que carregávamos quando nascemos.
Felizmente, perder o brilho não nos faz mais fracos, pelo contrário. Cada vez que sobrevivemos, nos tornamos mais fortes. E serenos. Sobreviver é acreditar na vida. Porque se lutamos pra sobreviver é porque acreditamos que existe algo de bom pelo que vale a pena continuar tentando. E ainda que as marcas da decepção se salientem em nossos rostos, nosso sorriso se torna cada vez mais sincero, mais valioso, mais saboroso.
Sempre desdenhei a importância que a televisão e os meios de comunicação dão à beleza estética, mas não posso deixar de comentar o quanto achei bonito ver o sorriso de Reinaldo Gianechinni após ter raspado os cabelos para enfrentar a luta contra o câncer. Ou mesmo o sorriso do ex-Presidente Lula. Porque só Deus (e quem assistiu o filme “O Filho do Brasil”) sabe o que esse homem, ou esses homens, já tiveram que enfrentar e que deixaram marcas, e que a essa altura da vida são coroadas com um diagnóstico tumoral.
A gente sempre acredita que, aos 30 anos, estaremos colhendo frutos do sucesso (a não ser que se esteja com 29 e já se saiba que a vida é um fracasso mesmo...). Muitas vezes, eu acho que fiz as escolhas erradas, principalmente quando me comparo ao restante da minha família, quando vejo onde meus irmãos mais novos puderam chegar. Ingressar em um curso de nível superior nessa idade, em ciências exatas, é conviver todo dia com o fracasso e a derrota. Diferente de um curso de Letras, ou daqueles passageiros encrenqueiros do ônibus lotado, em um bom curso de exatas não dá pra empurrar com a barriga. Como diz minha amiga Júlia: “ou você se entende com as exatas, ou desiste delas”.
Enfrentar, e superar, o fracasso diário que é cursar pelo terceiro semestre consecutivo as disciplinas de Cálculo I e Geometria Analítica não tem se mostrado tarefa fácil. É constrangedor, embora seja a realidade de muitos, e finalmente eu percebo que estou me envolvendo com as disciplinas, com a “idéia” da coisa. Estou adquirindo a maturidade necessária pra seguir em frente nesse caminho. Acho que esse é o ensinamento mais importante... Ou talvez o mais importante seja aprender a calcular área sobre gráficos e ortogonalizar vetores, e esse seja o segundo mais importante...
Se a vida não sorriu pra mim durante todos esses anos, ela me presenteou com uma filha muito especial, com amigos que posso contar nos dedos, mas que valem por uma tropa de elite, e com uma força de vontade que só consegue me guiar em direção ao alto e avante. Pois se existe um conceito que definitivamente estou abolindo do meu vocabulário é o de “desistir”. Acredito que a palavra “desistir” só devia vir acompanhada de “nunca”, da forma como dizia minha antiga professora de inglês, quando ficou sabendo que tinha sido demitida e não podia contar aos seus alunos, em sua última aula ela insistia: “Never give up!”
Meu irmão Leo acha que sou louco. Porque só um doidão de pedra mesmo desiste de uma carreira na área de humanas – pra qual é vocacionado – pra cursar exatas. Ou vice-versa. E eu sou doidão. De pedra. Daquelas duras mesmo. Sou daqueles caras que tempera feijão com mel (Rsrs... não foi metáfora). Porque eu sei onde quero chegar, e vou insistir nisso, ainda que tudo pareça querer dizer que é hora de desistir. Se eu fosse te dar algum conselho, leitor, diria pra nunca dizer a alguém que é hora de desistir. Os mineiros do Chile não desistiram. O meu Galo não desistiu. O América não desistiu. E o Cruzeiro (infelizmente...) também não vai desistir.
E se lutar sempre é a ordem do dia, que ela seja realizada com um maravilhoso sorriso no rosto, compartilhada com uma verdadeira tropa de elite, e coroada, se Deus quiser, com diagnósticos de saúde, sucesso e paz!
Até meu próximo post... porque também não desisto desse blog.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
DE REPENTE... TRINTA (E UM DE JULHO)!!!
Engraçado como acho que poderia justificar de várias formas a minha ausência durante esses (quase) dois meses, mas o fato de não me aventurar a postar crônicas nesse período não se deu pela ausência de reflexões da vida, pelo contrário... Nunca tive tanta necessidade de repensar a sociedade moderna pós Amy Winehouse como agora, mas as pressões com a faculdade, a necessidade do ócio e (pasmem!) a falta das palavras certas me fizeram afastar dessa que é uma das minhas atividades preferidas (não, não mais do que SEXO, espero que já tenha deixado isso claro!). Mas acho que essa semana tenho motivos mais do que especiais para voltar a dirigir-me a esse querido blog e a meus fiéis seguidores, e não posso deixar passar essa belíssima oportunidade...
No próximo domingo, dia 31 de julho, completarei 30 anos de existência. Quando adolescente, achava que estaria milionário aos 30 anos e que todos os meus problemas estariam resolvidos, como num filme teen, em que numa fração de segundos o diretor avança a história quinze anos no tempo, e o garoto imberbe de pernas tortas é trocado por um ator forte, sarado, tendo finalmente conquistado sua paixão da adolescência... Na vida real não é assim que as coisas funcionam. Nós, seres humanos, pertencentes ao gênero dos homo sapiens, pansexuais, onívoros e pluricelulares não somos criaturas saídas do filme Avatar, ou de qualquer outra comédia romântica da Disney... não vivemos felizes para sempre, mas é engraçado como muitas vezes nos apegamos à situações circunstanciais para justificar a incapacidade de sermos felizes agora, como se algo de realmente relevante precisasse acontecer para que pudéssemos fugir de nossa responsabilidade com aquilo que acreditamos ser a plena felicidade. Cada dia que passa, vamos idealizando fatos que, se ocorressem, nos fariam acreditar na vida, nas pessoas, no amanhã... e vamos adiando nossos momentos de paz interior, de realizações, de compartilhamento, para que venham quando formos promovidos, ou quando concluirmos a faculdade, ou quando conseguirmos aquele emprego... e por aí vai.
Cerca de nove anos atrás, eu vivia no mundo das certezas. Com vinte e um anos, TINHA CERTEZA que tinha encontrado a mulher da minha vida, que nunca mais estudaria matemática de novo, que minha orientação era 100% católica... Hoje em dia, cursando Química na UFMG, com um casamento desfeito vivendo longe de qualquer preceito religioso (embora muito mais longe ainda de ser agnóstico... ), tudo o que sei é que as certezas que temos são grandes armadilhas das quais devemos fugir, ou nos prevenir, para evitar que grandes decepções se abatam sobre nossas cabeças...
Uma das minhas últimas certezas se esvaiu recentemente, mais precisamente no dia 01 de junho. Fui demitido de uma empresa para a qual trabalhei por oito anos. Coincidentemente, ingressei na companhia na mesma época em que comecei meu curso de Letras e me preparava para o casamento. Na época, eu TINHA CERTEZA de que não duraria mais do que seis meses naquele lugar, mas oito anos se passaram e tudo se tornou diferente. De alguma forma, o trabalho me absorveu a ponto de me definir pelo que eu fazia... e sabia fazer. Eu tinha respeito, status, um cargo elevado, tinha poder... e era extremamente infeliz!
A última razão para que eu não fosse feliz residia no fato de estar ali, fazendo o que estava fazendo. Então, com a demissão, fui forçado a encarar uma difícil realidade: não existia mais motivo para não ser feliz! Tudo dependia de mim agora. E eis que pairava a pergunta: ONDE está a felicidade? O que fazer para encontrar a felicidade?
Demorou alguns dias para eu perceber a vida não tinha ficado milagrosamente mais fácil por ter perdido o emprego e repentinamente estar livre para... fazer o que eu quisesse, ainda que não fosse nada! A cada dia eu precisava – e preciso – reinventar minha rotina porque quando acordo de manhã não sei o que fazer absolutamente. Foi amedrontador... abalou meu desempenho na faculdade (eu achava quer ia ajudar, mas só piorou!) o que me fez sentir ainda mais culpa, e pior de tudo agora era não ter a quem responsabilizar pela minha infelicidade.
Então passa o tempo e eu percebo – graças às 8 horas de sono por noite, até que enfim! – que felicidade é um conceito abstrato e subjetivo sim, mas que pode ser conquistada nas coisas do dia-a-dia que não necessariamente dependem do marco de grandes conquistas na vida. Ganhar muito dinheiro de uma vez só, ser aprovado em um concurso, conquistar alguém, traz uma enorme euforia, é verdade, mas sabemos que com o passar do tempo, voltamos ao nosso estado “normal”... não vivemos felizes para sempre! Assim como grandes tristezas não nos abalam eternamente ( a não ser que caracterizem traumas). O que nos faz viver felizes é o que fazemos com o que nos é oferecido todo dia, uma conversa com algum amigo que não se vê há algum tempo, ver um belo filme, decorar a casa, lavar o carro, tomar uma cerveja na companhia do pai, levar a filha ao parquinho e ficar empurrando-a no balanço, pagar aquela dívida de meses, dizer a alguém importante o quanto ela é especial na sua vida, comprar aquela camisa cara que você tava namorando a um tempão, fazer exercícios com prazer...
Engraçado como pequenas atitudes diárias me fizeram perceber que buscar um estado de total felicidade é inútil. É como ficar perseguindo o final do arco-íris, a gente vê lá longe, acha que está perto, mas nunca o alcança, sempre é necessário ir mais além, e esperar pela próxima chuva. E nessa inapetência, vamos culpando as circunstâncias da vida por algo que depende exclusivamente de nós. Porque no fundo, é mais fácil lamentar a própria sorte do que assumir o fardo da felicidade. Nascemos para sermos felizes, mas a inércia nos conduz a um estado de total apatia, tristeza, depressão e morte.
Não foi à toa que alguns meses atrás adotei como dogma o lema de que “A vida vale a pena HOJE”. Percebi desde minha última promoção que não era o status, não era dinheiro, ou o poder de decidir a vida das pessoas que me trariam o equilíbrio necessário para superar minhas angústias, pelo contrário. Descobri que felizes mesmo eram aqueles que ocupavam as categorias de base, que sofriam suas dificuldades financeiras mas conquistavam amizades sinceras, programavam happy hours toda sexta-feira após o expediente (eu nunca sabia a que horas ia sair da empresa, especialmente às sextas-feiras) e que conseguiam separar a vida profissional da vida pessoal. Não que eu não pudesse fazer o mesmo, para o bem de todos e da minha própria sanidade deveria tê-lo feito, mas descobri à duras penas as grandes responsabilidades que vêm com grandes poderes.
Não quero dizer contudo que a descoberta de mim mesmo fez com que eu tenha desistido de dar grandes saltos na carreira, de jeito nenhum. Por tudo o que aprendi na vida e com meus pais, acredito que somente o céu é o limite para quem não tem medo de sonhar! Mas a jornada até lá passou a ser encarada com outros olhos, pois na verdade é ela o grande desafio, muito maior do que o lugar onde se chega finalmente. Atingir a maturidade, saborear os anos que se vão, sentir que se aprendeu algo ao longo da vida, transmitir com sabedoria aos mais jovens o que se adquiriu, tudo isso traz um prazer imenso, e para os que tem medo que o tempo passe, eu sempre me lembro que envelhecer não é tão ruim quando se pensa nas alternativas...
E que venham mais trinta anos!!
Gustavo Jonathan Costa
“Por que, mais do que nunca, a vida vale a pena HOJE!”
PS: A propósito, na segunda-feira, dia 01 de agosto, começo a trabalhar novamente. Desejem-me boa sorte!
terça-feira, 3 de maio de 2011
DIA DO BEIJO
Como bom representante do gênero masculino, tenho uma obsessão quase obsessiva por sexo. Desgraçadamente, como não compartilho da mesma afinidade que meus congêneres por futebol, acabo não tendo outro tipo de assunto ou idéia fixa. Felizmente, o mundo moderno permite que a Síndrome de Pavo seja direcionada em prol da humanidade, na construção de aeronaves espaciais e nos fundamentos do princípio de incerteza de Heisenberg.
Também no desenvolvimento da arte de se relacionar fomos beneficiados com a Síndrome do Pavo e com a emancipação feminina, que até onde me consta, tem agraciado mais homens do que mulheres, pois se tal fenômeno social não houvesse ocorrido, não teríamos tantas beldades posando nuas nas revistas masculinas (e ainda sendo consideradas modelos sociais). Como um selvagem domesticado, aprendi a direcionar minha obsessão obsessiva para outras nuances do corpo feminino, capazes de me transmitir tanto ou mais prazer do que a simples prática sexual.
A boca por exemplo... esse órgão enaltecido por poetas e poeteiros desde a Antiguidade - e cuja utilidade também para os "atos orais" é bem apreciada - consegue despertar nesse escritor nostálgico sentimentos que vão desde as mais inconfessáveis manifestações instintivas aos mais sublimes sentimentos. Não há quem possa negar que a maior invenção humana, superando a própria Mona Lisa, é o ósculo propriamente dito. Pois correndo o risco de parecer um grande 171, obrigo-me a dizer que a prática do beijo me seduz ainda mais do que o sexo stricto senso. Sexo é orgânico. Preciso dele, como de água e alimento todos os dias. Também é efêmero, fácil de ser conseguido se a prioridade é tão somente o atendimento a uma necessidade primitiva. É claro que, como para satisfazer a qualquer outro instinto aprimoramos e sofisticamos as manifestações de nossos prazeres. Envolvemo-nos sentimentalmente com os objetos de nossos desejos - e com as donas dos objetos. Desenvolvemos formas de conquista. Estudamos o outro, nos interessamos sinceramente pelo que pensa e sente, e somos recompensados com orgasmos múltiplos, ainda que para nós homens sejam um a cada vinte minutos, no mínimo.
Porém, pra gozar por gozar, nem é necessário parceiro. Homens e mulheres são auto-suficientes na auto-compensação mecânica da falta de sexo. Já para o beijo não. Esse requer necessariamente e obrigatoriamente uma segunda pessoa, exige que haja consentimento, e ainda que não haja amor, é necessário que haja tesão, desejo, química. Beijo tem que ter afinidade. Tem que começar com aquele leve toque nos lábios, que faz a gente sentir o gosto gostoso do batom ou do brilho, sentir a boca da garota ligeiramente mais fria que a nossa. Então, depois do primeiro selinho, vem outro, e de repente uma energia eletromagnética começa a te puxar para mais perto, e você não vê mais os olhos, o cabelo, somente aqueles lábios na sua frente.
Então alguém dá um tranco no corpo do outro. Pode ser você, pode ser ela, ninguém mais sabe, pois quando se dão conta, já estão de olhos fechados, sentindo bem de perto a respiração ofegante, um gemidinho que vem lá do fundo da alma, e por fim você quer de repente sentir tudo, as mãos envolvem as costas, o pescoço, glúteos, enquanto línguas se entrelaçam, atrevidas, uma penetrando o esconderijo da outra, em ritmo sincronizado, combinado, acordado, elas se impõem e se subjugam, dominam e se deixam dominar...
Diferente do sexo, o beijo não define papéis sexuais. Não tem regras, não tem posições, só exige que duas bocas estejam suficientemente próximas para se devorarem umas às outras. Ele pode ser comportado, por pudor, mas um beijo de verdade não consegue ser fingido, dissimulado. Prostitutas abrem suas borboletas para seus clientes, mas não conseguem beijá-los na boca. E mesmo casais cuja relação esfriou há vários anos continuam fazendo sexo embora raramente seus lábios entrem em contato.
Um beijo pode durar uma eternidade. De tão prazeroso, ele jamais sacia a si mesmo. Após o sexo, trocam-se algumas carícias, dizem-se algumas besteiras e logo o corpo cede, e acaba-se dormindo... (ou pula-se toda a parte das carícias e dorme-se imediatamente). Mas o beijo dificilmente nos deixa desvencilharmos dele. Ao nos despedirmos, gastamos horas trocando os últimos selinhos da noite (ou do dia). Nostálgico que sou, tenho registrado 69 minutos ininterruptos em um longo e demorado sorver de lábios, dentes e língua... do qual jamais me esqueço.
Sexo é bom, mas se torna ótimo quando começa com beijo. Aquele beijo que não te desgruda enquanto você a joga na parede, e se despe de camisas, shorts, sapatos, mochilas, agendas e cordões... E continua rolando solto, os corpos já nus um sobre o outro, lambendo saliva, maquiagem , suor e fios de cabelo. E quando se desgrudam os lábios, vão logo ao encontro de orelhas, de pescoços, de seios, tal a vontade e o desejo de continuar sorvendo toda a transpiração do outro corpo. Muitas vezes é acompanhado de mordidas discretas em lugares estratégicos, suplementando dessa maneira o prazer mútuo proporcionado pela boca.
Mas beijo não termina necessariamente em sexo. Depende de clima, de lugar, de ambiente, de expectativas que temos em relação à parceira ou parceiro. É claro que, se beijamos, queremos. Mas ainda que não façamos, só pelo beijo, vale a pena. A gente fica com aquela lembrança, aquela saudade, aquela vontade do reencontro, só para beijar mais, muito mais... e fazer todo o resto que ficou pra trás.
Beijo é assim. Pode ser seco, molhado, combinado ou roubado, mas tem que ter. E se for todos os dias, não enjoa não. Mas se der saudade, tanto melhor! Por isso todo dia deveria ser declarado Dia do Beijo, para que todo individuo com sangue nas veias e calor nos lábios esquecesse um pouco seus problemas e beijasse... beijasse e se deixasse beijar!
Até meu próximo post.
Gustavo Jonathan Costa
Porque a vida vale a pena HOJE!