domingo, 10 de abril de 2011

A BOLA DA VEZ

(segunda crônica desse final de semana. Se ainda não leu a primeira, veja logo abaixo)

Por muitas vezes nesse mesmo blog já fiz relatos apaixonados de minha infância e minha juventude. É bem provável que a essa altura, o leitor já acostumado com meus posts consiga compreender um pouco da formação do meu caráter, entende as dificuldades que enfrentei, os conflitos que vivi, o que eu era e o que eu sou e porque eu sou. Ora, muitas vezes já me senti perseguido pelo destino, como se houvesse sido colocado no centro de uma grande piada cósmica, aos serviços de divertir algum Criador cujo senso de humor fosse completamente questionável.

O tempo passou e me dei conta de que não sou lá tão especial assim pra merecer a atenção de quem não tem mais nada pra fazer a não ser assistir pra onde vai essa merda toda que ele criou. De repente, a gente começa a olhar para os lados e vê que no fundo só existe vida miserável e cheia de dificuldades, e que comparada a outras histórias, a gente acaba tendo motivo de sobra pra rir à beça de alegria, e no fundo se sentir até mesmo um pouco privilegiado.

Nunca fiz nada pra merecer enfoque exclusivo. Reconheço minha mediocridade nas minhas feições mestiças, na minha inteligência limitada e até no meu tipo sanguíneo, de longe o mais abundante na face da terra. Se tiver algo especial, é uma verruga na virilha que preciso queimar o quanto antes. Até o ordinário molde do meu rosto só ficou bonito quando usado na minha filha... Fora isso não me destaco por nada exatamente, e foi assim durante toda a minha vida, mesmo naqueles anos em que a aceitação pelos outros era tema central da minha torturada existência social. Durante a adolescência foi difícil aceitar minhas limitações. A religiosidade, o fato de não ser bom nos esportes, as mãos pequenas, estar sempre acima do peso, tudo isso contribuiu para que eu me desenvolvesse com uma personalidade um pouco mais retraída, subjetiva, romântica e ligeiramente depressiva...

Então a gente cresce, vira homem, assume responsabilidades, descobre nossas aptidões, manda o mundo tomar no cu, e segue andando pela selva de pedra em busca de sobrevivência, compartilhando experiências e descobrindo que todos esses medos e incertezas são tão universais quanto umbigo... todo mundo tem, teve e terá. Em muitos casos, torna-se difícil superar certas limitações, e às vezes a ajuda de amigos apenas não é suficiente, precisamos recorrer à ajuda profissional. Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas estudam durante anos pra ficar escutando e analisando a condição ruim de gente que não conseguiu superar esse sentimento de frustração e passou a vida inteira se sentindo mais na merda do que todo mundo. Esses deveriam assumir logo suas fraquezas, colocar o rabinho entre as pernas e procurar a ajuda desses profissionais...

Isso o cara deve fazer ANTES de ter uma piração total, pegar uma arma e entrar numa escola para atirar em meninas de dez anos à queima-roupa porque o miserável era desprezado durante a infância. Porque quando o filho da puta começa a achar que sua vida é pior do que a dos outros, é geralmente isso o que acontece. O cara não se trata, se sente sozinho, humilhado, e acha que a culpa disso tudo é do mundo, e não dele que não teve competência suficiente para se socializar adequadamente. E aí quer notoriedade, vai matar os filhos de quem não tem nada a ver com sua existência medíocre e SÓ DEPOIS estoura os próprios miolos. Meu amigo, você leitor que se por algum motivo estiver vivendo drama semelhante, faça um favor para mim e pra toda a humanidade, ESTOURA A SUA CABEÇA AGORA, antes de fazer qualquer besteira. Porque pra todo mundo já é difícil demais lutar todos os dias para sobreviver financeiramente, sustentar os filhos e o governo, agüentar jornalista falando que pobre não pode ter carro e ainda ter que chegar em casa e ver certas notícias na televisão. Todo mundo tem vontade de descarregar tudo num Dia de Fúria, mas é de ficar puto quando a gente vê um retardado fazer isso. Eu já me sentia indignado quando escrevi minha crônica Big Brother 174, e agora parece até que pressentia que outra tragédia como essa ia acontecer, porque no momento em que soube do que houve naquela escola do Rio de Janeiro eu só pude pensar em minha filha de 5 anos sozinha em uma escola... e de novo aquele sentimento de impotência se abateu sobre mim.

Se tem gente tentando entender a cabeça desse desgraçado Wellington, não sou eu. Lamento apenas que ele tenha morrido antes da hora. Não há o que entender, o rapaz se saía bem na escola, era bom nos esportes, e não conseguia se socializar. Se estava enlouquecendo, PROCURASSE AJUDA, não esperasse o mundo conspirar pra salvá-lo, porque ele NÃO FAZ ISSO. A felicidade de cada um de nós está em nossas próprias mãos, ainda que nossa destruição possa estar nas mãos de outros. É assim, é a vida, é cruel mas é a lei do universo, e ela vale pra todo mundo.

Se a cada sentimento de rejeição eu fosse estourar os miolos de alguém, não haveria mundo que chegasse. Mas com o tempo, a gente começa a enxergar as compensações, e vê que o mundo não é tão injusto assim. Eu tenho saúde. Posso comer de tudo e não passo mal. Sei nadar. Tenho pai, mãe, irmãos e filha. Todos eles sabem que os amo porque já ouviram isso da minha boca. Sei também que a recíproca é 100% verdadeira porque já ouvi deles declarações igualmente apaixonadas, quer coisa melhor do que isso?

Antes de enlouquecer, procuro pensar que existem pessoas que contam comigo, e precisam de mim bem e feliz. Essa cambada da família aí vibra e torce pelo meu sucesso. Tenho amigos onde trabalho que precisam que eu execute bem minhas tarefas para que as deles não sejam prejudicadas. Tenho uma filha que acha que eu sou o Super-Homem. Para aquelas pessoas que conheci e vivi por tempo suficiente para fazer a diferença eu preciso tomar uma atitude positiva, vencer minhas barreiras, minhas limitações, e aceitar minhas mediocridades para não mergulhar na insanidade, pois minha vida não pertence só a mim, embora seja de minha total responsabilidade.

Mas hipoteticamente falando, ainda que a consciência de tudo isso me fugisse um dia, ainda que o fardo da minha existência fosse tão grande que eu já não conseguisse suportar, que nenhuma psicanálise ou Rivotril tenha surtido efeito além da eventual brochada, que eu acabe somente comigo mesmo sem pra isso ter que atrapalhar a vida de ninguém que não tenha nada a ver com isso. E fica a dica, meu amigo. Se você tá sozinho, se sentindo desprezado pelo mundo, pare de achar que estão menosprezando você, às vezes é só pelo fato de você ser um babaca mesmo, vai se tratar, ler, estudar, descobrir que existem outros como você, desabafar, ALGUÉM nesse mundo vai querer te ajudar, nem que você tenha que pagar pra isso, procure umas prostitutas, trabalhe, faça exercícios, entre para uma academia de artes marciais pra descarregar a tensão, faça atividades em grupo, TOME UMA ATITUDE...

Ou morra sozinho, o que ainda é muito melhor do que ser lembrado eternamente como um grande filho da puta.

sábado, 9 de abril de 2011

Ascensão e Queda dos Morlocks

Sempre acreditei que querer reduzir toda a realidade do universo ao que nós simples mortais conseguimos perceber com nossos cinco sentidos é um materialismo tolo, pois quanto mais evoluídos nos tornamos, descobrimos que existem mais coisas entre o céu e a terra do que acredita nossa vã filosofia. Com toda a minha criação e formação, sempre me vi como um místico, uma pessoa para o qual os limites da física clássica nunca foram suficientes para explicar os lampejos de uma alma inquieta e a força de um espírito devastador.

Por muitas vezes, e durante muito tempo, e há que se dizer que até os dias de hoje, me senti um desajustado social, ou simplesmente uma pessoa deslocada no tempo e no espaço. Ocultistas orientais me diriam que a energia que emana do meu chakra da terra, o Muladhara, está enfraquecida, por isso não consigo firmar raízes no chão onde piso. Alguns espíritas me diriam que é um vazio deixado em vidas passadas, algo que preciso compensar nessa vida. Meus irmãos diriam que sou doido mesmo. Acontece que, onde quer que eu viva e onde quer que eu esteja, em algum lugar e algum momento sempre senti algo errado, uma sensação de desapego, de não pertencer ao momento presente, de estar assistindo minha vida na terceira pessoa.

Mas entre o me entender como gente e os dias de hoje houve um hiato reconfortante nesse ligeiro incômodo. Aconteceu entre os anos de 1997 e 1999, no período em que estudei no Colégio Técnico da UFMG. Eu tinha 17 anos, e naquela época fiz parte de um grupo de pessoas que ao longo de sua vida se sentiram tão excêntricos quanto eu.

Aconteceu numa manhã normal quando surpreendi uma disputa de olhares entre duas conhecidas. Elas sempre faziam isso, mas naquele dia, enquanto observava a disputa, vi nos olhos de uma delas um brilho vermelho intenso e incomum...

Eu me assustei, pois nunca tinha visto nada assim, senti arrepiar o corpo inteiro, fugi correndo, o grupo não entendeu nada. As meninas vieram até mim, com o namorado de uma delas, e me perguntaram o que tinha acontecido. Eu não conseguia encarar a menina dos olhos vermelhos, ela olhava para mim e ria muito, mas eu simplesmente a estava vendo de forma diferente, mais forte, capaz de me esmagar só de olhar pra mim. Era estranho, intenso, inexplicável. Confessei quase sem voz que os olhos dela brilharam quando ela encarava a outra, e que eu nunca tinha visto nada assim... “como você fez aquilo?”

Com a segurança de um adulto que explica para uma criança as lições mais simples da vida, ela me disse: “Não fui eu quem fez você ver aquilo, Gustavo. Foi você mesmo. Você também é sensitivo... “

Aquele momento marcou minha vida de uma forma inesperada. Depois de algumas explicações, cada um do grupo começou a me contar histórias surpreendentes de coisas que já tinham visto e ouvido desde que “descobriram” que tinham uma sensibilidade fora do comum. Éramos cinco pessoas, a Pat - a menina dos olhos vermelhos; o namorado dela; a Amanda, cuja ligação com ela vinha do fato de termos nascido no mesmo dia e outro amigo meu, o Marco Túlio, um especialista em assuntos exotéricos. “Nossa”, eu comentei, “vocês são tão estranhos, parecem um grupo de Morlocks”.

Tive que explicar para as meninas que os Morlocks eram um grupo mutante do universo em quadrinhos dos X-Men, degenerados demais para viver em sociedade, eles se escondiam nos esgotos e sofriam todo o tipo de preconceito. E nosso grupo estava batizado, a alcunha de Morlock pegou e nos tratamos assim por longos e maravilhosos dois anos.

Depois nos tornamos adultos, e o cérebro adulto não passa pelas mesmas transformações neuroquímicas que um cérebro adolescente, o que é capaz de fazer-nos enxergar coisas extraordinárias. O excesso de ondas beta aos poucos vai vilipendiando nossa subjetividade, e quando menos esperamos, nos tornamos parte do sistema. Mas por uma dessas razões que a própria razão desconhece, o grupo dos Morlocks nunca morreu de fato. Cada um de nós seguiu sua vida, a Pat não se casou com seu namorado da adolescência, a Amanda continua fazendo aniversário no mesmo dia que eu e o Marco Túlio é o mesmo Marco Túlio de sempre, trilhando o caminho do guerreiro. Inexplicavelmente, eles sempre (mas SEMPRE) surgem na minha vida nos momentos em que eu MAIS PRECISO, não sei explicar como, mas nas minhas fases mais decadentes, como anjos enviados, algo dentro deles faz com que me procurem, sem que eu grite, esperneie ou simplesmente manifeste qualquer sentimento de tristeza.

Eu que depois de onze anos já nem pensava mais nos Morlocks (como Morlocks, claro!) fui surpreendido com a leitura de uma carta que havia escrito a muitos anos atrás, numa época de sonhos que um adolescente chamado Gustavo havia depositado nesse adulto chamado Gustavo. E , apesar de não ter me tornado milionário às vésperas de completar 30 anos eu sei que não decepcionei aquele garoto, porque continuo essencialmente o mesmo sujeito, e conservo as mesmas amizades importantes. E mais maravilhoso ainda, continuo sendo visto por essas pessoas, apesar de todas as besteiras que cometi na vida, com os mesmos olhos puros de quando tinham 17 anos.

A forma como nos tratamos acaba definindo aquilo que somos. Nosso grupo sempre foi estranho, porque assim nos sentíamos, assim nos definimos e assim éramos. Agora adultos, o misticismo não deixou de fazer parte de nossas vidas. Por isso mesmo, os antigos Morlocks vêm me alertando a respeito da minha alcunha de Escritor Maldito, “o que não combina com uma pessoa doce como você”, me disseram. Ser maldito significa ser repleto de maldições, e confesso que não tenho atraído muita sorte pra mim ultimamente. Péssimos negócios financeiros, dificuldades com o carro, apatia com a família, problemas insolúveis no trabalho, foras inexplicáveis, notas baixas na faculdade, bom... minha avaliação dos meses de outubro até agora não tem sido lá muito positiva. E, como nunca aceitei ser um expectador passivo da minha própria vida, sei que para atrair positividade eu preciso tomar atitudes positivas, a começar pela mudança de nome.

Então, peço desculpas a meus seguidores acostumados com o título anterior e que por algum motivo tenham encontrado dificuldades para voltar a esse blog (por causa da mudança no link, e tudo o mais). Mas não há o que se lamentar por deixar de ser maldito... no mal sentido da palavra. Malditos estão espalhados por toda a parte, no elenco do meu Big Brother, ou nas câmaras dos deputados proferindo em público baboseiras que já deveriam ter sido enterradas junto com aquelas pobres crianças no Rio de Janeiro...

Assuntos para o próximo post... de AMANHÃ.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ESCRITOR MALDITO

Cada dia que passa eu chego à conclusão que meu negócio mesmo é escrever... No início, foram as aulas de Cálculo Diferencial e Integral e Geometria Analítica e Álgebra Linear que me fizeram pensar assim, afinal de contas essas disciplinas são uma afronta à qualquer brasileiro mal iniciado nas artes matemáticas, algo que hoje em dia gira em torno de 95% da população.

Ao contrário do que pensam alguns, escrever é uma arte. Diferente da lógica matemática, em que os doutores do ICEx(Instituto de Ciências Exatas da UFMG) conseguem fazer tudo se encaixar perfeitamente, fazendo-nos nos sentir uns completos idiotas, o encaixe das letras não depende do conhecimento de regras pré-estabelecidas. Ou você sabe, ou não sabe. Se não sabe, nada fará com que saiba. Se sabe pouco, pode melhorar muito, e vir a saber. Eu sempre gostei de escrever, embora soubesse pouco. Ter feito Letras na UFMG não me tornou cronista, isso é algo que eu sempre gostei de fazer, mas não num blog como faço hoje. Até porque antes de 2002 os blogs não eram tão famosos como atualmente...

Infelizmente, escrever não tem lá o prestígio de outras formas de arte em nossa sociedade brasileira. Isso pelo simples fato de que nós brasileiros temos preguiça de ler. Eu, particularmente, acho uma arte estranha mesmo. Ela não tem beleza em si... você pega um texto e olha de longe... putz, que preguiça, não vou ler isso não. Diferente de uma imagem que te atinge no ato, em suas diferentes tonalidades. Atualmente as editoras “apelam” para capas de livros cada vez mais chamativas, cheias de cores e ilustrações, até alto relevo, para atrair os leitores para o mesmo fundo branco repleto de letras pretas formando palavras que compõem todos os livros desde a Antiguidade.

A música consegue ser ainda mais sensacional. Você não precisa encará-la pra perceber sua essência... ela te pega pelas costas, de olhos fechados. E quando é mesclada à dança, que é a própria representação visual das músicas... bem, talvez mil palavras não sejam suficientes para descrever essa forma de arte...

O cinema consegue mesclar todas essas formas e criar a sua própria linguagem... imagem, música, dança... e uma série de outros recursos que provocam nos expectadores passivos múltiplas sensações. A escrita não. Para alcançar o efeito da arte da escrita é preciso um esforço inicial do leitor... ele precisa olhar para o texto, começar a decodificar as primeiras palavras, sentir do que se trata a história... ir imaginando aos poucos. É necessário um esforço ativo do leitor, por isso mesmo, um texto pra ficar realmente famoso, atingir várias pessoas, provocar diversas emoções, tem que ser realmente bom. Tem que convencer o leitor mais preguiçoso, ele tem que ter escutado falar desse texto em algum lugar, gostar do escritor, ter lido algo dele antes... coisas do tipo.

Por isso mesmo eu fiquei emocionado com as manifestações de admiração que vieram da leitura do meu último post (Auréola). Não só recebi comentários no próprio blog, mas recebi telefonemas, scraps e torpedos de leitores que se envolveram com uma de minhas grandes histórias. Inclusive da própria Bia. E esse foi um dos motivos que me levaram a chegar à conclusão de que meu dom mesmo é escrever.

É também minha maldição.

Poucas pessoas entendem que ser um artista não quer dizer necessariamente que somos artistas da vida. Engraçado como muitos acabam me procurando para conhecer quem é o cara que escreveu tal coisa, de repente com a idéia errada de que eu posso ter algum tipo de aura especial... e acabam se decepcionando, porque na minha mediocridade, eu sou um ser humano normal, que sua, tem gases e cheira mal se não tomar banho todos os dias.

Ora, invariavelmente trombamos na rua com dezenas e centenas de cantores, atores, escritores, pintores e cineastas sem que a simples presença deles não nos cause o mínimo espanto. Ás vezes eles estão no nosso caminho quando precisamos atravessar uma avenida movimentada e o fato de estarem ali só nos causa incômodo. A arte não nos marca de maneira especial... nós somos simplesmente o que somos. Então, torna-se frustrante para qualquer artista ser abordado por algum dos admiradores da sua arte e perceber nesses a decepção por não ver no autor a própria arte.

É claro que meus textos são a pura expressão do que eu guardo dentro de mim. Isso por si só pode levar alguns a querer ver em mim a força que vê nos textos. Mas não é bem assim. Minha forma de expressão pessoal, social e profissional é diferente...Eu não sou minhas crônicas, assim como James Cameron não é Avatar, e Elis Regina não era como nossos pais... Auréola é capaz de arrancar lágrimas e suspiros de admiração porque a história arranca lágrimas... e isso é algo que não dependia só de mim. Saber transmitir isso, fazer com que você, leitor, sinta o que eu senti e o que aprendi com a Bia, sim, é um talento desse artista, mas a natureza tem suas compensações, e pode ter certeza que você realiza muitas coisas admiráveis aos meus olhos, mesmo que com seu texto você não seja capaz de me contar.

Escrever bem muitas vezes é uma maldição, porque abre caminhos que o escritor não é capaz de percorrer. Imagine você leitor que a Cameron Diaz lesse uma de minhas crônicas (hipoteticamente falando, claro. Vamos supor que ela tenha aprendido português com o Rodrigo Santoro!) e tenha achado o máximo o que eu disse sobre a Síndrome do Pavo. Ela continua lendo mais alguns textos, detesta o Big Brother 174 e não curte muito o A favor do coletivo. Fica meio em cima do muro quando o assunto é Desligião mas vai à loucura quando lê Auréola. Então ela deixa um comentário. Me manda um e-mail. Eu respondo, achando engraçado, ou no mínimo que é um fake qualquer...

Ela não desiste, me adiciona no seu MSN. Com muito custo, consegue provar que é de fato a Cameron Diaz e que adora a forma como eu escrevo. Ora, pelo MSN um escritor que se preze escreve tão bem quanto em qualquer outro lugar... Eu interajo magistralmente com a atriz hollywoodiana e ela fica impressionada com minhas respostas, minha criatividade, meu jeito de “falar”...

Então finalmente ela vem para o Brasil e quer me conhecer...

Caras... eu vou fazer o quê??? Ficar de frente para a Cameron Diaz, aquela blond girl fantástica... e começar a suar como um louco, minha voz vai falhar, minhas mãos vão tremer... Imagina se ela chega num domingo – naqueles dias em que eu não faço barba e fico de bobeira em casa sem me produzir pra nada. Que fiasco! Lá se vai a imagem do Escritor Maldito por água abaixo. Ou no mínimo, ia me tornar ainda mais maldito...

Talvez eu não tenha sido preparado pro assédio... algumas pessoas tem esse dom. Eu não. A admiração sim,é uma coisa louvável, e faz bem. Mesmo que comentários completamente discordantes nos fazem sentir que produzimos um efeito. Ninguém escreve pra jogar seu texto no vazio, por mais miserável que seja. A indiferença completa, essa sim é deprimente. Como é deprimente a indiferença de algumas pessoas que não vêem o escrito no escritor... Porque ainda que o escritor não tenha lá as mesmas qualidades que se percebem quando se lê seu texto, ele é uma pessoa única, com qualidades suficientes para se tornar na vida de qualquer um uma pessoa inesquecível...

Que o digam aqueles que convivem com ele há muitos anos, e ainda que admirem profundamente o Escritor Maldito, amam ao Gustavo incondicionalmente...

Gustavo Jonathan Costa

“Porque a vida vale a pena HOJE!”

quarta-feira, 2 de março de 2011

Big Brother 174

Já me conformei com o fato de que, com 23 letras e algumas milhares de palavras disponíveis no idioma, dificilmente conseguirei vencer o campeão de audiência da Rede Globo chamado Big Brother Brasil. Não tenho imagens, não tenho sons, não tenho bundas femininas ( no bom sentido) voando de lá pra cá no meu cenário... (mas taí algo pra se pensar). Hoje é uma quarta-feira, e ontem, provavelmente, alguém foi eliminado da casa. Pelo menos 1 milhão de televisores deveriam estar ligados na telinha global nesse momento, para assistir mais uma vez esse grande achincalhe da cultura brasileira...

Eu bem que tentei... Juro!! Afinal de contas, já que tá todo mundo embarcando nessa merda mesmo, ficar sozinho é que eu não quero. Mas não consegui... Mal conheci os participantes, desisti... E meu interesse é bem genuíno, afinal de contas, durante bons seis meses as garotas do Big Brother estarão estampando as capas das revistas masculinas, então porque não conhecê-las antes e já ficar fantasiando com todas aquelas vadias sem cérebro e sem roupa?

Mas nem com tamanho incentivo consegui vencer a letargia que o programa me causara. Fiquei por ali mesmo... e o pouco que sabia dos participantes, já esqueci! Não que tivesse grandes coisas pra fazer, mas não consigo pensar em coisas PIORES pra ocupar meu tempo... qualquer atividade é melhor do que esse show de horrores... Escrever por exemplo...

Foi então que me veio uma luz...

Somente um cronista maldito poderia se aventurar na missão quixotesca de desmontar todo esse circo armado pela Rede Globo chamado Big Brother... afinal de contas, são milhões de telespectadores contra apenas 7 seguidores meus!!! (vamos aumentar esse número aí gente... pelo menos 10!!!) Então, resolvi unir forças com a toda poderosa e lançar o meu primeiro projeto para um reality show que o Brasil realmente gostaria de ver... O BIG BROTHER BRASIL 174.

O número 174 não precisa ser o número da edição... já que estamos na edição onzima, seriam precisos uns cento e sessenta e alguns anos até atingirmos a que eu gostaria de lançar... e essa deveria ir ao ar já, tão logo a edição atual termine.


Bem, o que esse Big Brother tem de diferente? Vamos começar pelos participantes:

Participantes de 1 a 5: Carlos Eduardo Toledo Lima, Diego Nascimento da Silva, Carlos Roberto da Silva, Tiago de Abreu Mattos e Ezequiel Toledo Lima;
Famosos pilotos de fórmula 1, ficaram conhecidos por suas proezas em arrastar o garoto João Hélio do lado de fora de um carro;

Participante 6: Suzane Louise von Richtofen, a próxima socialyte a posar para a Playboy. Resolveu suas crises de família depois de uma atitude que - literalmente - abriu a cabeça de seus pais para que aceitassem seu namoro.

Participante 7: Lindemberg Fernandes Souza, depois de aparecer constantemente na imprensa devido a seus problemas amorosos, acabou se acertando com a jovem Eloá Cristina.

Participantes 8 e 9: Alexandre Alves Nardoni e Ana Carolina Jatobá, o casal afirma que o momento mais difícil foi quando tiveram que olhar pela janela para se despedir da filha Isabela, mas estão prontos para entrar na casa.

Participante 10: Goleiro Bruno do Flamengo, quando entrevistado sobre seus temores em enfrentar a casa, afirmou: "já joguei tudo o que me atrapalhava aos cães".

Participante 11: Francisco de Assis Pereira, famoso por seus vários casos amorosos, sempre com rompimento forçado. Conhecido como o Don Juan do Parque.

Participante 12: Vera Lúcia, a procuradora aposentada, ídolo das crianças.

Durante o meu Big Brother eu daria férias para o Bial. O apresentador seria o ex-ator e galã Guilherme de Pádua, aquele mesmo que cortou relações com Daniela Perez quando alguns de vocês leitores nem eram nascidos.

As regras do programa seriam muito simples. Eles seriam trancafiados na casa, que teria muros de 3 metros de altura, cercados por arames farpados e cercas elétricas. Nada de luz solar. Como no Big Brother convencional, eles seriam vigiados por câmeras 24 horas por dia. O espaço, entretanto, seria menor. Já que o programa não tem o menor pudor, resolvi cortar esse negócio de quartos e banheiros individuais. Tudo deveria acontecer ali, no meio de todo mundo, desde as trocas de roupa até as sujeiras na latrina...

Como os brothers não dormem, geralmente varam madrugada adentro, achei besteira ter camas para todo mundo. Um quarto de camas seria o suficiente. O restante, se quisesse, dormiria onde desse, no chão, ou uns sobre os outros. Depois da gandaia, não importa onde se durma, não é mesmo?

Uma vez que meus participantes não são exemplos de atletas de corpos malhados (exceto o Bruno e a Suzane) a ração (dessas de cães mesmo, para o que não vejo nenhum problema, afinal de contas, na maioria dos lares brasileiros de classe média os cães só comem do melhor, taí o goleiro Bruno que não me deixa mentir) seria fracionada, para que todos entrassem numa dieta.

Mas o mais emocionante seriam as provas do líder.

"Uma campainha é colocada no alto de um pau de sebo, quem conseguir alcançá-la primeiro não levará um choque de 1000 volts".

"Hoje a comida será colocada dentro de uma piscina de 1000 litros infestada de cobras peçonhetas. Se quiserem a ração da semana, terão que tirá-la lá de dentro".

Brincadeiras à parte, o que todos os participantes desse programa têm em comum não é nada engraçado. Faltam poucos dias do Carnaval, a maior festa do mundo, como em nossa megalomania gostamos de achar, e nos esquecemos, é claro, de pensar em assuntos tão fundamentais, tão estruturais para que possamos viver com o mínimo de dignidade nessa sociedade brasileira.

Estamos gastando milhões de reais com o Carnaval, outros milhões com a Copa do Mundo. E eu vejo minha filha de 5 anos crescendo numa sociedade rodeada de violência, onde não posso ter paz para deixá-la na escola ou por dois minutos sem minha supervisão em um parque no centro da cidade. É desesperador, pensar que um grande número de famílias vêem pessoas queridas serem reduzidas a rostos em preto e branco nos jornais de dentro dos ônibus ou nos tablóides sensacionalistas de 25 centavos. Pensar que, como chefe de família, sou impotente diante de um mundo que quer levar tudo de mim, e não me oferece sequer a proteção que preciso para chegar em casa após a meia-noite.

Um grande amigo meu, a alguns anos, teve sua mochila roubada de seu carro, que estava parado no estacionamento de um shopping (ou supermercado, agora não me lembro!). Ele havia deixado o vidro aberto, e o ladrão não teve a menor dificuldade em enfiar a mão dentro do carro e levar livros, roupas e documentos que ele guardava. Tal foi sua indignação ao ser acusado de culpado pelo ocorrido, que num determinado momento ele esbravejou: "CARALHO, quer dizer que eu guardo MINHA mochila, no MEU carro e só porque eu deixei o vidro aberto a culpa é MINHA por ele ter levado o que não era dele??? Claro que o palavrão do início é de minha autoria, ele jamais falaria algo assim. Mas o que eu quero dizer é que: facilitar a vida do ladrão é dar a ele o DIREITO de fazer o que ele quiser?? Já estamos tão acostumados a nos proteger de roubo e violência, que quando algo assim acontece por descuido, além do prejuízo material, o erro cai em nossa conta. Mas que completa inversão de valores!! Em resumo... que merda!!!

Os participantes mencionados acima? Estão todos presos, longe das ruas, graças a Deus! Mas que porra, somente depois da merda que fizeram, e fizeram devido a brechas na lei, incompetência familiar ou simplesmente por uma completa desvirtualização de princípios morais básicos, como o respeito aos próprios pais. Pois só um sistema doente e completamente desarticulado produz monstruosidades como um pai que atira uma filha de 7 anos pela janela e uma representante da lei que adota uma criança de 2 anos para violentá-la. E eu já dizia no último post, não é instrução que confere cárater, pois só em nosso elenco temos uma procuradora, uma jovem abastada, e um casal de classe média alta. E como estes, existem centenas e milhares soltos por aí, ao lado da sua casa, ou na sua escola, usando roupas de médico, policial ou advogado.

Então, temos que esperar algo acontecer para que esses maníacos dos parques sejam logo presos e retirados do convívio social? Tem que acontecer comigo? Com pessoas que eu amo?Meus irmãos, meus pais, minha filha??? Mas se não é falta de instrução, o que em nome de Deus leva tanto pessoas de baixa instrução quanto pessoas esclarecidas, a cometerem atos tão cruéis, contra pessoas próximas, ou simplesmente inocentes que apareceram no lugar errado e na hora errada? O quê?? Essa maldita cultura da impunidade, porra de lugar onde tudo sempre acaba em pizza, ou melhor, em Carnaval!

O negócio é confiar em Deus mesmo, deixar tudo nas mãos Dele... como deixou Eloá Cristina... ou a Geísa Gonçalves... como fizeram mais de duzentos mil no Haiti em janeiro do ano passado.

Como fez meu amigo Rodrigão quando saiu pra dançar naquele domingo de dia dos pais em 2008 do qual ele nunca mais voltou...

A sensação é de que não acontece nada, nunca. Ficamos apenas esperando pra ver qual o próximo espetáculo da barbárie iremos assistir nos próximos capítulos do Jornal Nacional.


...


Bom, esqueci de mencionar a regra mais importante do meu reality show: a eliminação. Para apimentar os barracos, o líder deve colocar os participantes para se digladiarem dentro casa. Cada semana dois são escolhidos. Não há regras para as brigas. É permitido, inclusive, usar utensílios da cozinha. Quem apanha mais, continua no jogo, permanece na casa, mas não pode receber qualquer cuidados médicos. O vencedor, claro, ganha a liberdade, sai da casa, onde é recebido por parentes e outras pessoas próximas daquelas que tornaram o participante famoso...

Os parentes não são revistados antes de entrar nas dependências do programa. Não são recolhidas armas, facas, porretes, ou qualquer outro instrumento que possa ser usado para ferir ou matar...

E aquele que não suporta mais tanta violência atira a primeira pedra...


Gustavo Jonathan Costa
Porque a vida vale a pena HOJE.

PS: O Boninho adorou minha idéia, mas não sei se ele tava falando sério não... disse que vai estrear no mês que vem, em abril... No dia primeiro... ihhhhhh....



sábado, 26 de fevereiro de 2011

A favor do coletivo

Esse post é uma resposta ao vídeo abaixo:



Uma das coisas que me fez iniciar esse blog é a profunda aversão que sinto a qualquer gesto, atitude ou comentário hipócrita ou demagogo. Comecei em outubro do ano passado e, revendo minhas crônicas, percebo que o que me move a escrever na maioria das vezes é o grito de protesto que sai da minha garganta quando vejo o poder e o discurso, e muitas vezes o poder do discurso e o discurso do poder sendo usado de maneira nefasta.

Não consigo descrever o sentimento de repulsa que me causou ter assistido ao vídeo desse senhor Luís Carlos Prates, jornalista e psicólogo, excelente comunicador, tecendo comentários infelizes sobre a situação do trânsito em São Paulo no ano passado. Ora, aqui em Belo Horizonte temos vivido situação se não igual ao menos semelhante ao que se vê nas terras paulistanas. Com o fim do horário de verão, as ameaças de greve dos rodoviários e o lançamento do filme do Justin Bieber em 3D, a minha rota Pedro Leopoldo - Belo Horizonte simplesmente parou de andar... literalmente. Desde a MG010, até a Cristiano Machado e Pedro I, passando pela Avenida Antônio Carlos, perdi quase uma hora e quarenta pra percorrer um trecho de vinte minutos nas CATP (Condições Anormais de Temperatura e Pressão).

O senhor Prates sentiria orgulho de mim. Sim senhor, Prates. Pois eu sou um pobre miserável que, mesmo tendo lido vários livros na vida, continuo sem carro, usando o transporte público em prol da melhoria da vida urbana em Belo Horizonte. To investindo em outras coisas primeiro. Trabalho, estudo... Depois penso em adquirir meu transporte próprio. Afinal de contas, espero que até lá a situação das rodovias e avenidas tenha melhorado.

Já estou fazendo meu segundo curso de graduação. Entre 2002 e 2007 eu cursei Letras na Universidade Federal de Minas Gerais. Também vinha de Pedro Leopoldo para Belo Horizonte todos os dias... sem carro. Acordava as cinco da manhã, pegava um ônibus, ia pra Rodoviária de Pedro Leopoldo, pegava outro ônibus, ia pra Belo Horizonte, descia na Cristiano Machado, pegava outro ônibus, seguia a José Cândido da Silveira até o meu local de trabalho. À tarde pegava um ônibus só para ir para a Faculdade. Saía da Faculdade as dez e quinze e tinha que esperar até as 23 horas pelo ônibus de Pedro Leopoldo, porque os horários são péssimos, chegava na cidade e subia para casa a pé, porque aí não tinha problema, não tinha hora pra chegar e mesmo se tivesse não tinha ônibus no horário... então chegava por volta de meia noite e quinze, meia noite e meia em casa e ia dormir pra começar tudo de novo no outro dia.

Sim, eu ia largar o curso. Porque nem jumento aguenta uma carga desse tamanho. Mas então eu joguei todos os meus valores morais para o alto e resolvi: comprei um carro. Pronto! Mais um miserável para fuder com o trânsito de Belo Horizonte!!! E não comprei nenhum carrão não senhor!!! Nada de crediário, ajuda do governo, financiamento, de jeito nenhum. Era um Escort daqueles bem antigos, 1989, XR3, azul, que eu adorava. Pois se não fosse ter estuprado a Cristiano Machado com meu carrinho, eu teria ficado no meio do caminho, louco, morto, ou pior... burro!!!

Então me sai esse senhor não sei de onde e vem me dizer que a culpa pelo caos no trânsito das grandes cidades é do pobre que tem carro!! Pelo amor de Deus, onde vamos parar com tamanha hipocrisia? Meu distinto senhor, ao sair de casa e se dirigir até a redação do jornal, o senhor usou o metrô, onibus, bicicleta ou foi usando o seu Renault?? Responde, seu desgraçado!!! Porque daí de onde o senhor faz a sua avaliação é muito fácil culpar o chefe de família que quer dar mais conforto para a mulher e os filhos, quer poder chegar cedo em casa sem ter que ficar trinta, quarenta minutos no ponto de ônibus, andar esmagado entre os passageiros e ainda correr o risco de ser assaltado...

Claro que não tiro o mérito do senhor ter levantado o fato de que infelizmente temos carros demais hoje em dia. O que já virou clichê, lugar comum. Talvez não tivéssemos tantos se houvessem ônibus de qualidade andando nas ruas, em horários suficientes para que os coletivos não estivessem sempre tão cheios, pois o que se vive dentro de um microuniverso desses é uma humilhação, um desrespeito a esses cidadãos chefes de família que já se desgastaram diante de supervisores, encarregados e gerentes de banco o dia inteiro. Não precisamos passar por mais isso, nem ouvir que, agora que finalmente conseguimos algo para melhorar nossas vidas - já que não adianta ficar esperando o governo e as políticas públicas tomarem uma atitude - somos responsáveis pelo caos no trânsito.

No início do meu curso de Letras eu podia pegar um ônibus que passava na Avenida Antônio Carlos por volta de dez e quinze. Para isso tinha que deixar a sala de aula as dez em ponto. Eu sempre saía, assim como outros alunos que tinham o mesmo problema com o horário de ônibus. Certa vez um professor em sala disse que achava um absurdo essa atitude, pois quando se matricularam no curso todos sabiam que as aulas iam até as dez e meia. E ele dava aulas SEMPRE até as dez e meia. "Filho da puta!!!" pensei comigo mesmo, já que certas coisas não se diz para quem pode fazer você repetir um semestre. "Vai sair daqui, entrar no seu carro, dirigir vinte minutos até sua casa, ficar na internet até meia-noite e acordar amanhã só as dez horas. E tem coragem de nos dar lição de moral. Filho da puta!!!"

Pior de tudo é dizer que os acidentes acontecem porque os carros estão sendo dirigidos por pessoas sem instrução. Ora, quem dirige já tem instrução suficiente para dirigir um carro, pelo menos fez prova, exames, aulas, tudo para comprovar sua capacidade de dominar um carro em uma volta no quarteirão (porque é disso que tratam os exames) mas dizer que é por falta de instrução não se respeita leis de trânsito??? Desde QUANDO diploma agora virou sinônimo de atestado de bom comportamento? Nunca fui mais santo por ser graduado... Pelo contrário! Com toda o conhecimento que tenho, já dirigi sem cinto de segurança, e até embrigado - o que pra mim não é nenhum motivo de orgulho. Basta dar uma voltinha á noite pra ver quem são os desesperados no trânsito, playboyzinhos, filhinhos de papai, escolarizados, graduados, donos de carrões que põem à toda a prova quando o assunto é velocidade.

Eu costumo pensar duas vezes antes de escrever. Acho que as pessoas deveriam pensar também duas vezes antes de falar. Pra não falarem merda em cadeia nacional. É triste. Sei que o cara quis defender um melhor uso do transporte público, o que traria benefícios para toda a população, mas ele foi tremendamente infeliz em todas as suas colocações. Talvez eu o convide a vir debater comigo o assunto, mas tem que ser aqui em Pedro Leopoldo, no domingo... e quero que ele venha de ônibus. Se sair de casa umas onze horas da manhã, pode ser que até as quatro ele chegue aqui.

Bom, pra finalizar minha autobiografia, depois que terminei a faculdade (e o casamento) vendi meu glorioso Escort XR3, a preço de banana. Logo, como disse no início, voltei a contribuir com o fluxo do trânsito de Belo Horizonte. Uma pena que o governo e a BHTrans não cooperam comigo. Os horários de ônibus continuam sofríveis, os coletivos são desconfortáveis, continuam lotados. Um cientista chinês que conheci nesse mês de janeiro me perguntou como é possível que aceitemos andar em ônibus tão cheios, parecendo latas de sardinha, sem ar condicionado e com uma passagem tão cara...

Ainda estou pensando pra responder, mas como sei que todas essas questões vão demorar muito ser solucionadas, aviso de antemão que, ao contrário do que afirmei antes, vou comprar um carro em breve, antes que eu morra, fique louco ou burro...Afinal de contas, só tenho uma vida para esperar.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desligião

A gente nasce, cresce, estuda, se gradua, bate punheta, e fica indagando quais seriam os maiores problemas da humanidade... Claro, isso no meu caso que, depois de solteiro, tenho tempo de sobra pras duas últimas aí da lista... ah propósito, estou começando a acreditar que minha solteirice está me fazendo mal... caso alguma garota gostosa, com aquela curvinha nas costas (ah vá, com algum conteúdo também...) discorde do que escreverei a seguir e quiser corrigir minha insensatez dando pra mim um pouco de carinho, sinta-se à vontade...

Geralmente, entre uma poesia e outra, um cara como eu sofre uma certa nostalgia moral... algum resquício de uma ideologia cristã que aprendi na infância e que insiste em me dizer que o cultivo dos valores morais é a melhor maneira de crescer sadio, feliz e socialmente ajustado. Bom seria se todos (nossa, como eu tenho medo de usar esses pronomes totalitários... todos, tudo, nenhum...) tivessem uma educação religiosa como a minha. O mundo seria um lugar muito melhor...

Será mesmo?

Ora, o mundo moderno é muito mais complexo do que imaginam estes pequenos grupos religiosos. E pra quem tem coração e mente abertos, vai perceber que o grande problema do mundo não está na ausência dos valores religiosos não, muito pelo contrário...

A religião é o grande mal dessa merda de mundo...

E não falo de uma religião só não... as três grande principais religiões monoteístas: Islamismo, Cristianismo e Judaísmo fizeram de nossa convivència nesse planeta um verdadeiro inferno.

Sejamos francos: Inquisição, Cruzadas... atentados terroristas...Idade Média... até os campos de concentração tem um fundo religioso inaceitável... é incrível como um fiel em sã consciência consegue olhar para a história da sua própria religião e não sentir vergonha... Quantos milênios de atraso mental, quantas vidas tiradas em vão...

Quantas misérias não poderiam ter sido evitadas...

Os fiéis de cada credo conseguem olhar para trás e se justificar com as mais estapafúrdias das desculpas: "eram seres humanos, e humanos erram...". ou "isso era aceitável naquela época e naquele contexto... "

É incrível como três religiões que acreditam no mesmo Deus não conseguem coexistir pacificamente. Como se não bastasse, dentro das religiões existem as subdivisões, e essas também não conseguem se aceitar mutuamente...

Católicos e evangélicos...

Xiitas e sunitas...

Aff...

Como cristão católico tenho assegurado o céu dentro do meu credo, mas já me condenaram ao inferno os evangélicos e os mulçumanos. Dentro da minha religião, um espírita jamais conhecerá a Deus. Chico Xavier está queimando no inferno por dedicar sua vida a ajudar outras pessoas. É claro que Einstein também deve estar. E Alexander Fleming, o descobridor da penicilina. Me assusta como padres e pastores condenam facilmente qualquer benfeitor espírita, mas em seus discursos conseguem absolver Hitler, porque, segundo eles, só Deus sabe o que se passou entre eles na hora da morte, e se ele se arrependeu do fundo do coração em seus últimos momentos, ele foi salvo. Tenho certeza que muitos chefes de família católicos - daqueles bem fervorosos, da linha Carismática, por exemplo - preferem ver suas filhas namorando com um cara "da igreja", ainda que seja malandro, vagabundo, do que saindo com um trabalhador evangélico honesto. Porque a doutrina do outro é a doutrina do demônio.

A religião nos dá um sentimento de grupo, une as pessoas com pensamento comum mas afasta os que pensam diferente. De repente os dogmas se tornam a parte central da religião, quando o mais importante deveria ser "ajudar os órfãos e as viúvas". Isso não é espiritualidade, é tribalismo selvagem, tirania santa. Já vi padres católicos dizerem na TV que não se deve nem comer com um espírita. Que não se deve frequentar os mesmos lugares que um espírita... Que porra é essa? De repente a pessoa é despojada de tudo o que é e pensa e tudo o que sobra é o credo que a pessoa professa?

O que será de mim, meu Deus, se disser que meus melhores amigos são espíritas, gays e ateus? Que a vivência da minha espiritualidade me levou a me aproximar cada vez mais das pessoas que são diferentes de mim? Que não me sinto pertencente a nenhum grupo, por isso me acho no direito de frequentar todos? Irei direto pro inferno, em todas as religiões, em todas as línguas do mundo??? What a hell...???

Um deus tem que ser muito louco ou muito idiota pra morrer numa cruz em vão. Um deus que se preze não faria isso, e se o cara topou entrar nessa, ele precisa urgentemente rever seus valores e escolher melhor seus seguidores. Porque as melhores pessoas da lista estão ficando de fora, seja porque já foram excluídas por aqueles que se sentem os Escolhidos, seja porque já se sentem tão enojadas de presenciar tamanha hipocrisia que preferem tentar melhorar o mundo à sua maneira... com sua música, sua dança, seu discurso e sua ciência...

Um dos significados da palavra "Religião" é religar... religar o homem a Deus. Pois já passamos da hora de desligar. Deveríamos propor a Desligião, desligar essa merda toda e começar a olhar uns pros outros, parar de achar que nossas bênçãos virão do alto - assim como os castigos dos outros - e usar de nossa fé nesse Deus que é maravilhoso para fazer desse mundo um paraíso na Terra, um lugar onde as pessoas manifestam suas diferenças, cultuam seus deuses, se relacionam com quem quiserem, expressam suas opiniões, cultivam sua ciència sem os crivos desse preconceito arraigado que só existe na mente desses pobres coitados que se julgam "os escolhidos de Deus".

Afinal de contas, com mil demônios, se tem um cara que respeita a opinião de todo mundo sem o menor julgamento, é esse tal de Deus. Ele não faz sequer questão de provar que existe, acredita quem quiser. Cada um faz da sua vida o que bem quiser, quando quiser e onde quiser. Mas aí vem esse povinho sabe lá Deus de onde e fica querendo ditar as normas da casa, como se fossem os governantes da coisa toda... Os porta-vozes do Senhor. Deus não precisa disso não, cara. Ele te deu inteligência pra que você mesmo examine e tire suas próprias conclusões. Você pode até achar que ele não existe e sua vida não vai ficar nem melhor nem pior por causa disso. Porque independente do que você pensa ou acredita, seja você católico ou evangélico, ou espírita ou muçulmano, você pode ser roubado, atropelado, assassinado ou ganhar na mega sena. De uma forma ou de outra você vai morrer, e isso não vai ser gostoso, seja qual for sua igreja. Você vai perder parentes, comer algumas mulheres ou dar para alguns homens( ou dar para algumas mulheres e comer alguns homens, a escolha é sua), ganhar algum dinheiro, ou muito, e pode perder tudo também, se não souber administrar o que tem. Mesmo que você não pague o dízimo. Você vai ficar doente algumas vezes. Vai sofrer de solidão. Vai vibrar de alegria... tudo isso será seu, eu afirmo sem sombra de dúvida e não estou fazendo nenhum tipo de pregação, quer você acredita em Deus, Vishná, Jeová, Afrodite, Yemanjá ou Alá. Ou em horóscopo. Ou simplesmente na ciência, ou em porra nenhuma mesmo...

Agora, se você acredita em Papai Noel ou na Dilma Roussef, aí sim, vai se fuder pra lá, retardado.


Abraço a todos e até meu próximo post.






PS: Meninas, o convite que fiz acima ainda está de pé... sem trocadilhos.



sábado, 29 de janeiro de 2011

A Lei João do Penhal....kkkkkkkk

Essa primeira crônica do ano já deveria ter sido escrita a mais tempo, bem mais... Algumas histórias recentes me inspiraram a escrevê-la, mas tenho esse péssimo hábito de ficar adiando algumas coisas pro final. Bom, como já é o final do mês de Janeiro, acho que não tem por que esperar o mês de fevereiro pra por minhas tarefas de casa em dia...

Uma vez, estava lendo um livro de um dos meus filósofos alemães favoritos, do século passado, Luís Fernando Veríssimo. Com uma singularidade elementar, ele fez um comentário a respeito da criação do homem e da mulher da qual não pude discordar. Como não tenho aqui o livro comigo, vou tentar reproduzir em partes a idéia do autor: "Entre as teorias da criação divina do homem e a evolução através dos primatas, adoto uma postura relativa. Sei que o homem veio do macaco mas a mulher foi criada por Deus." É claro que uma criatura dotada de tamanha beleza só pode ter sido obra de uma inteligência superior, ou será que não, são só os hormônios e ferormônios agindo em meu cérebro e me dando essa falsa impressão, a mesma que um boi tem ao ver pastando aquela vaca roliça?

Numa sociedade ocidental evoluída, notamos que a mulher tem ocupado cada vez mais espaço ativo na vida comunitária. São notórios os casos de Dilma Roussef - a primeira "presidenta" do Brasil e da Juju Salimeni, eleita pela revista Vip a mulher mais sexy do mundo (aliás o mundo nunca mais foi o mesmo depois do surgimento das Panicats... meu Deus!) Porém, o que assisto agora, o que vejo e sinto, é que aparentemente nós homens deveríamos tomar um papel secundário na sociedade, meio que para pagar por todas as mazelas que "nós" (eu não tava vivo na época, mas tenho que sentir na pele o que meus antepassados fizeram) causamos a elas.

É estranho e há quem discorde. Todos dizem que homens e mulheres devem desempenhar papel igual na sociedade, mas não é bem assim. Vou dar uns exemplos: sou leitor de pelo menos três revistas masculinas (mas só UMA traz mulheres nuas...). Em todas elas, leio coisas do tipo:
Manual para conquistar aquela gata. Seja isso. Não seja aquilo. Ela não vai gostar se vocè fizer isso. Cozinhe aquilo, mas sem sujar as unhas. Depois conserte isso. Faça aquilo... Putz, com o tempo fui ficando meio neurado. Porque não existe nenhum conselho do tipo: seja você mesmo??? É legal ter um mínimo de etiqueta, entender da alma feminina, saber que, agora que elas tem direito de escolha, temos que ralar pra conquistá-las. Mas não dá pra ser um robô desse jeito, soa muito artificial!!!!

Me assusta como tudo o que diz respeito a nós homens, as coisas que gostamos e fazemos, tem tomado um valor secundário, quase pejorativo. A vida toda, as mulheres dizem que só falamos de sexo e futebol. Bom, eu detesto futebol, então devo falar só de sexo. Um homem falando de futebol é só mais um orangotango qualquer, agora uma mulher falando de futebol está mostrando que está conquistando espaço que até então era dos homens.

Falando de sexo então... sou um dos poucos caras que eu conheço que admite que fico impressionado com qualquer forma feminina, ainda que seja o manequim de uma loja. Às vezes paro e encaro algumas. Acho lindas. Ora, qualquer um poderia achar que é perversão, mas eu sou um HOMEM, porra. E homens de verdade são estimulados visualmente pelas FORMAS femininas, independente se de verdade, se numa revista ou num manequim. As mulheres também são assim com as formas infantis, que despertam nelas o instinto materno. Ainda que sejam filhotes de mamíferos ou bonecas, ou roupinhas de nenê, elas se sentem tentadas a pegá-las, embalá-las e protegê-las. Altamente valorizado na sociedade atual.

Enquanto um cara entra numa locadora pra ver filmes pornográficos é depravado, uma mulher que entra num sex shop está quebrando tabus. Somos condenados por não saber separar amizade com mulheres de romance, mas as mulheres são valorizadas por não separarem sexo de amor. Um homem deve saber cuidar da casa e dos filhos, saber cozinhar e lavar a roupa, mas ninguém exige que uma mulher troque pneus de carro, conserte o chuveiro ou troque o encanamento.

Me lembrei de uma garota com quem saí recentemente. Eu a conhecia a muitos anos e agora que me separei a convidei pra ir ao cinema. Ela demorou quase um mês pra aceitar meu convite, saímos, conversamos, andamos de mãos dadas, abraçados, mas quando ia lhe roubar um beijo ela me disse: "devagar, eu não tenho compromisso de te beijar. Se quisesse alguém com obrigação de ficar com você, contratasse uma garota de programa..." Quem em sã consciência fala uma merda dessa prum cara? Quer dizer que querer um beijo, depois de andar abraçado e tals, é depravação minha??? Aaaaaaaaaaaaaahhhh, não preciso contar o final da história...

Nos tornamos os vilões da humanidade. Por causa dos homens, existiram guerras, milhões de pessoas foram dizimadas. Mas por detrás dos grandes homens, os heróis, existiram sempre grandes mulheres.

Recentemente ainda descobriram que somos mais burros que as mulheres. Que temos neurônios a mais pra ter a mesma inteligência que elas. O pior é que não somos comunicativos, nossos dois hemisférios cerebrais não trabalham em conjunto, por isso não conseguimos fazer duas coisas ao mesmo tempo. Alguém já parou pra pensar que essa nossa capacidade limitada deu origem ao Cálculo Diferencial Integral, à Física e Química Quântica, à Astronomia e à Mona Lisa?
Que o Cristianismo, o Islamismo e o Kardecismo foram herdados de homens "burros"?
Que o avião, o relógio de pulso e os carros que dirigimos hoje vieram também dessa capacidade limitada? Também a eletricidade, os sistemas hidráulicos, a penicilina, a engenharia, a robótica... tudo isso saiu de cérebros trogloditas que só sabem falar de sexo e futebol...

Nós homens TEMOS um papel importante na sociedade moderna, e nossa condição de MACHOS deve ser assumida com orgulho. As mulheres não chegaram onde chegaram tomando à força o poder dos homens, somente a evolução da sociedade é que foi capaz de fazer com que ambos os lados aceitassem que devemos ser tratados, se não com igualdade, com equidade. Acredito no respeito às diferenças, não na luta entre os gêneros. Que as mulheres tem muitas virtudes, valha-me Deus, se tem, a começar por aquela que me trouxe a esse mundo. Mas todos os dias sou grato pela minha condição de HOMEM, na minha força e na minha fraqueza. Já molhei o vaso ao acordar de manhã, já fiquei de pau duro na hora errada, e de pau mole também...já gozei antes da hora, já tive pesadelo só de pensar no exame da próstata... já gemi de dores pelas quais mulher nenhuma daria a mínima, e já morri de medo de sentir as dores do parto mesmo sabendo que nunca vou ter e já me masturbei pensando em uma grande amiga, porque essas coisas são tipicamente MASCULINAS... TODO HOMEM faz isso e passa por isso, mas alguém pôs na nossa cabeça que temos que ter vergonha de dizer ou mostrar o que somos, quem somos e do que gostamos.

Já tá na hora de retomarmos nossa identidade, com orgulho do que somos, caramba. Daqui a pouco, do jeito que as coisas andam, somos nós quem estaremos apanhando das mulheres, e fazendo passeata em praça pública em prol da versão masculina da Lei Maria da Penha, a Lei João do Penhal... (kkkkk... essa em homenagem ao meu amigo do trabalho que citou pela primeira vez, Vítor Cézar...) Já vi amigo meu com vergonha de fechar o zíper em lugar público. Porra, pra mim, feio é continuar com ele aberto. Se não tem como fechar discretamente, fecha de qualquer jeito, mas FECHA! Já ouvi histórias de mulheres frustradas dizendo que saíram com um carinha, foram pro motel e o cara brochou. Até aí tudo bem, mas daí o cara, ao invés de tratar com naturalidade a situação, começa a se explicar, pedir desculpas, etc, etc. Cara, brochar é uma MERDA, mas só brocha quem tem pau pra levantar, e amigo, te confesso, se você ainda não brochou até hoje, com certeza brocharás! Porque é da gente, TODO homem brocha. Quando acontece comigo, faço piada, disfarço o nervosismo, tento outros meios de agradar à mulher, e boas. Sei que não sou o primeiro nem serei o último da vida dela que irá brochar... fazer o quê?

Então homens, levantem suas cabeças (de cima...) e assumam sua condição com o valor que ela merece. Pode ter certeza, esse é o melhor resultado para qualquer guerra entre os sexos, e as mulheres são as primeiras a agradecer...