sábado, 26 de fevereiro de 2011

A favor do coletivo

Esse post é uma resposta ao vídeo abaixo:



Uma das coisas que me fez iniciar esse blog é a profunda aversão que sinto a qualquer gesto, atitude ou comentário hipócrita ou demagogo. Comecei em outubro do ano passado e, revendo minhas crônicas, percebo que o que me move a escrever na maioria das vezes é o grito de protesto que sai da minha garganta quando vejo o poder e o discurso, e muitas vezes o poder do discurso e o discurso do poder sendo usado de maneira nefasta.

Não consigo descrever o sentimento de repulsa que me causou ter assistido ao vídeo desse senhor Luís Carlos Prates, jornalista e psicólogo, excelente comunicador, tecendo comentários infelizes sobre a situação do trânsito em São Paulo no ano passado. Ora, aqui em Belo Horizonte temos vivido situação se não igual ao menos semelhante ao que se vê nas terras paulistanas. Com o fim do horário de verão, as ameaças de greve dos rodoviários e o lançamento do filme do Justin Bieber em 3D, a minha rota Pedro Leopoldo - Belo Horizonte simplesmente parou de andar... literalmente. Desde a MG010, até a Cristiano Machado e Pedro I, passando pela Avenida Antônio Carlos, perdi quase uma hora e quarenta pra percorrer um trecho de vinte minutos nas CATP (Condições Anormais de Temperatura e Pressão).

O senhor Prates sentiria orgulho de mim. Sim senhor, Prates. Pois eu sou um pobre miserável que, mesmo tendo lido vários livros na vida, continuo sem carro, usando o transporte público em prol da melhoria da vida urbana em Belo Horizonte. To investindo em outras coisas primeiro. Trabalho, estudo... Depois penso em adquirir meu transporte próprio. Afinal de contas, espero que até lá a situação das rodovias e avenidas tenha melhorado.

Já estou fazendo meu segundo curso de graduação. Entre 2002 e 2007 eu cursei Letras na Universidade Federal de Minas Gerais. Também vinha de Pedro Leopoldo para Belo Horizonte todos os dias... sem carro. Acordava as cinco da manhã, pegava um ônibus, ia pra Rodoviária de Pedro Leopoldo, pegava outro ônibus, ia pra Belo Horizonte, descia na Cristiano Machado, pegava outro ônibus, seguia a José Cândido da Silveira até o meu local de trabalho. À tarde pegava um ônibus só para ir para a Faculdade. Saía da Faculdade as dez e quinze e tinha que esperar até as 23 horas pelo ônibus de Pedro Leopoldo, porque os horários são péssimos, chegava na cidade e subia para casa a pé, porque aí não tinha problema, não tinha hora pra chegar e mesmo se tivesse não tinha ônibus no horário... então chegava por volta de meia noite e quinze, meia noite e meia em casa e ia dormir pra começar tudo de novo no outro dia.

Sim, eu ia largar o curso. Porque nem jumento aguenta uma carga desse tamanho. Mas então eu joguei todos os meus valores morais para o alto e resolvi: comprei um carro. Pronto! Mais um miserável para fuder com o trânsito de Belo Horizonte!!! E não comprei nenhum carrão não senhor!!! Nada de crediário, ajuda do governo, financiamento, de jeito nenhum. Era um Escort daqueles bem antigos, 1989, XR3, azul, que eu adorava. Pois se não fosse ter estuprado a Cristiano Machado com meu carrinho, eu teria ficado no meio do caminho, louco, morto, ou pior... burro!!!

Então me sai esse senhor não sei de onde e vem me dizer que a culpa pelo caos no trânsito das grandes cidades é do pobre que tem carro!! Pelo amor de Deus, onde vamos parar com tamanha hipocrisia? Meu distinto senhor, ao sair de casa e se dirigir até a redação do jornal, o senhor usou o metrô, onibus, bicicleta ou foi usando o seu Renault?? Responde, seu desgraçado!!! Porque daí de onde o senhor faz a sua avaliação é muito fácil culpar o chefe de família que quer dar mais conforto para a mulher e os filhos, quer poder chegar cedo em casa sem ter que ficar trinta, quarenta minutos no ponto de ônibus, andar esmagado entre os passageiros e ainda correr o risco de ser assaltado...

Claro que não tiro o mérito do senhor ter levantado o fato de que infelizmente temos carros demais hoje em dia. O que já virou clichê, lugar comum. Talvez não tivéssemos tantos se houvessem ônibus de qualidade andando nas ruas, em horários suficientes para que os coletivos não estivessem sempre tão cheios, pois o que se vive dentro de um microuniverso desses é uma humilhação, um desrespeito a esses cidadãos chefes de família que já se desgastaram diante de supervisores, encarregados e gerentes de banco o dia inteiro. Não precisamos passar por mais isso, nem ouvir que, agora que finalmente conseguimos algo para melhorar nossas vidas - já que não adianta ficar esperando o governo e as políticas públicas tomarem uma atitude - somos responsáveis pelo caos no trânsito.

No início do meu curso de Letras eu podia pegar um ônibus que passava na Avenida Antônio Carlos por volta de dez e quinze. Para isso tinha que deixar a sala de aula as dez em ponto. Eu sempre saía, assim como outros alunos que tinham o mesmo problema com o horário de ônibus. Certa vez um professor em sala disse que achava um absurdo essa atitude, pois quando se matricularam no curso todos sabiam que as aulas iam até as dez e meia. E ele dava aulas SEMPRE até as dez e meia. "Filho da puta!!!" pensei comigo mesmo, já que certas coisas não se diz para quem pode fazer você repetir um semestre. "Vai sair daqui, entrar no seu carro, dirigir vinte minutos até sua casa, ficar na internet até meia-noite e acordar amanhã só as dez horas. E tem coragem de nos dar lição de moral. Filho da puta!!!"

Pior de tudo é dizer que os acidentes acontecem porque os carros estão sendo dirigidos por pessoas sem instrução. Ora, quem dirige já tem instrução suficiente para dirigir um carro, pelo menos fez prova, exames, aulas, tudo para comprovar sua capacidade de dominar um carro em uma volta no quarteirão (porque é disso que tratam os exames) mas dizer que é por falta de instrução não se respeita leis de trânsito??? Desde QUANDO diploma agora virou sinônimo de atestado de bom comportamento? Nunca fui mais santo por ser graduado... Pelo contrário! Com toda o conhecimento que tenho, já dirigi sem cinto de segurança, e até embrigado - o que pra mim não é nenhum motivo de orgulho. Basta dar uma voltinha á noite pra ver quem são os desesperados no trânsito, playboyzinhos, filhinhos de papai, escolarizados, graduados, donos de carrões que põem à toda a prova quando o assunto é velocidade.

Eu costumo pensar duas vezes antes de escrever. Acho que as pessoas deveriam pensar também duas vezes antes de falar. Pra não falarem merda em cadeia nacional. É triste. Sei que o cara quis defender um melhor uso do transporte público, o que traria benefícios para toda a população, mas ele foi tremendamente infeliz em todas as suas colocações. Talvez eu o convide a vir debater comigo o assunto, mas tem que ser aqui em Pedro Leopoldo, no domingo... e quero que ele venha de ônibus. Se sair de casa umas onze horas da manhã, pode ser que até as quatro ele chegue aqui.

Bom, pra finalizar minha autobiografia, depois que terminei a faculdade (e o casamento) vendi meu glorioso Escort XR3, a preço de banana. Logo, como disse no início, voltei a contribuir com o fluxo do trânsito de Belo Horizonte. Uma pena que o governo e a BHTrans não cooperam comigo. Os horários de ônibus continuam sofríveis, os coletivos são desconfortáveis, continuam lotados. Um cientista chinês que conheci nesse mês de janeiro me perguntou como é possível que aceitemos andar em ônibus tão cheios, parecendo latas de sardinha, sem ar condicionado e com uma passagem tão cara...

Ainda estou pensando pra responder, mas como sei que todas essas questões vão demorar muito ser solucionadas, aviso de antemão que, ao contrário do que afirmei antes, vou comprar um carro em breve, antes que eu morra, fique louco ou burro...Afinal de contas, só tenho uma vida para esperar.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Desligião

A gente nasce, cresce, estuda, se gradua, bate punheta, e fica indagando quais seriam os maiores problemas da humanidade... Claro, isso no meu caso que, depois de solteiro, tenho tempo de sobra pras duas últimas aí da lista... ah propósito, estou começando a acreditar que minha solteirice está me fazendo mal... caso alguma garota gostosa, com aquela curvinha nas costas (ah vá, com algum conteúdo também...) discorde do que escreverei a seguir e quiser corrigir minha insensatez dando pra mim um pouco de carinho, sinta-se à vontade...

Geralmente, entre uma poesia e outra, um cara como eu sofre uma certa nostalgia moral... algum resquício de uma ideologia cristã que aprendi na infância e que insiste em me dizer que o cultivo dos valores morais é a melhor maneira de crescer sadio, feliz e socialmente ajustado. Bom seria se todos (nossa, como eu tenho medo de usar esses pronomes totalitários... todos, tudo, nenhum...) tivessem uma educação religiosa como a minha. O mundo seria um lugar muito melhor...

Será mesmo?

Ora, o mundo moderno é muito mais complexo do que imaginam estes pequenos grupos religiosos. E pra quem tem coração e mente abertos, vai perceber que o grande problema do mundo não está na ausência dos valores religiosos não, muito pelo contrário...

A religião é o grande mal dessa merda de mundo...

E não falo de uma religião só não... as três grande principais religiões monoteístas: Islamismo, Cristianismo e Judaísmo fizeram de nossa convivència nesse planeta um verdadeiro inferno.

Sejamos francos: Inquisição, Cruzadas... atentados terroristas...Idade Média... até os campos de concentração tem um fundo religioso inaceitável... é incrível como um fiel em sã consciência consegue olhar para a história da sua própria religião e não sentir vergonha... Quantos milênios de atraso mental, quantas vidas tiradas em vão...

Quantas misérias não poderiam ter sido evitadas...

Os fiéis de cada credo conseguem olhar para trás e se justificar com as mais estapafúrdias das desculpas: "eram seres humanos, e humanos erram...". ou "isso era aceitável naquela época e naquele contexto... "

É incrível como três religiões que acreditam no mesmo Deus não conseguem coexistir pacificamente. Como se não bastasse, dentro das religiões existem as subdivisões, e essas também não conseguem se aceitar mutuamente...

Católicos e evangélicos...

Xiitas e sunitas...

Aff...

Como cristão católico tenho assegurado o céu dentro do meu credo, mas já me condenaram ao inferno os evangélicos e os mulçumanos. Dentro da minha religião, um espírita jamais conhecerá a Deus. Chico Xavier está queimando no inferno por dedicar sua vida a ajudar outras pessoas. É claro que Einstein também deve estar. E Alexander Fleming, o descobridor da penicilina. Me assusta como padres e pastores condenam facilmente qualquer benfeitor espírita, mas em seus discursos conseguem absolver Hitler, porque, segundo eles, só Deus sabe o que se passou entre eles na hora da morte, e se ele se arrependeu do fundo do coração em seus últimos momentos, ele foi salvo. Tenho certeza que muitos chefes de família católicos - daqueles bem fervorosos, da linha Carismática, por exemplo - preferem ver suas filhas namorando com um cara "da igreja", ainda que seja malandro, vagabundo, do que saindo com um trabalhador evangélico honesto. Porque a doutrina do outro é a doutrina do demônio.

A religião nos dá um sentimento de grupo, une as pessoas com pensamento comum mas afasta os que pensam diferente. De repente os dogmas se tornam a parte central da religião, quando o mais importante deveria ser "ajudar os órfãos e as viúvas". Isso não é espiritualidade, é tribalismo selvagem, tirania santa. Já vi padres católicos dizerem na TV que não se deve nem comer com um espírita. Que não se deve frequentar os mesmos lugares que um espírita... Que porra é essa? De repente a pessoa é despojada de tudo o que é e pensa e tudo o que sobra é o credo que a pessoa professa?

O que será de mim, meu Deus, se disser que meus melhores amigos são espíritas, gays e ateus? Que a vivência da minha espiritualidade me levou a me aproximar cada vez mais das pessoas que são diferentes de mim? Que não me sinto pertencente a nenhum grupo, por isso me acho no direito de frequentar todos? Irei direto pro inferno, em todas as religiões, em todas as línguas do mundo??? What a hell...???

Um deus tem que ser muito louco ou muito idiota pra morrer numa cruz em vão. Um deus que se preze não faria isso, e se o cara topou entrar nessa, ele precisa urgentemente rever seus valores e escolher melhor seus seguidores. Porque as melhores pessoas da lista estão ficando de fora, seja porque já foram excluídas por aqueles que se sentem os Escolhidos, seja porque já se sentem tão enojadas de presenciar tamanha hipocrisia que preferem tentar melhorar o mundo à sua maneira... com sua música, sua dança, seu discurso e sua ciência...

Um dos significados da palavra "Religião" é religar... religar o homem a Deus. Pois já passamos da hora de desligar. Deveríamos propor a Desligião, desligar essa merda toda e começar a olhar uns pros outros, parar de achar que nossas bênçãos virão do alto - assim como os castigos dos outros - e usar de nossa fé nesse Deus que é maravilhoso para fazer desse mundo um paraíso na Terra, um lugar onde as pessoas manifestam suas diferenças, cultuam seus deuses, se relacionam com quem quiserem, expressam suas opiniões, cultivam sua ciència sem os crivos desse preconceito arraigado que só existe na mente desses pobres coitados que se julgam "os escolhidos de Deus".

Afinal de contas, com mil demônios, se tem um cara que respeita a opinião de todo mundo sem o menor julgamento, é esse tal de Deus. Ele não faz sequer questão de provar que existe, acredita quem quiser. Cada um faz da sua vida o que bem quiser, quando quiser e onde quiser. Mas aí vem esse povinho sabe lá Deus de onde e fica querendo ditar as normas da casa, como se fossem os governantes da coisa toda... Os porta-vozes do Senhor. Deus não precisa disso não, cara. Ele te deu inteligência pra que você mesmo examine e tire suas próprias conclusões. Você pode até achar que ele não existe e sua vida não vai ficar nem melhor nem pior por causa disso. Porque independente do que você pensa ou acredita, seja você católico ou evangélico, ou espírita ou muçulmano, você pode ser roubado, atropelado, assassinado ou ganhar na mega sena. De uma forma ou de outra você vai morrer, e isso não vai ser gostoso, seja qual for sua igreja. Você vai perder parentes, comer algumas mulheres ou dar para alguns homens( ou dar para algumas mulheres e comer alguns homens, a escolha é sua), ganhar algum dinheiro, ou muito, e pode perder tudo também, se não souber administrar o que tem. Mesmo que você não pague o dízimo. Você vai ficar doente algumas vezes. Vai sofrer de solidão. Vai vibrar de alegria... tudo isso será seu, eu afirmo sem sombra de dúvida e não estou fazendo nenhum tipo de pregação, quer você acredita em Deus, Vishná, Jeová, Afrodite, Yemanjá ou Alá. Ou em horóscopo. Ou simplesmente na ciência, ou em porra nenhuma mesmo...

Agora, se você acredita em Papai Noel ou na Dilma Roussef, aí sim, vai se fuder pra lá, retardado.


Abraço a todos e até meu próximo post.






PS: Meninas, o convite que fiz acima ainda está de pé... sem trocadilhos.



sábado, 29 de janeiro de 2011

A Lei João do Penhal....kkkkkkkk

Essa primeira crônica do ano já deveria ter sido escrita a mais tempo, bem mais... Algumas histórias recentes me inspiraram a escrevê-la, mas tenho esse péssimo hábito de ficar adiando algumas coisas pro final. Bom, como já é o final do mês de Janeiro, acho que não tem por que esperar o mês de fevereiro pra por minhas tarefas de casa em dia...

Uma vez, estava lendo um livro de um dos meus filósofos alemães favoritos, do século passado, Luís Fernando Veríssimo. Com uma singularidade elementar, ele fez um comentário a respeito da criação do homem e da mulher da qual não pude discordar. Como não tenho aqui o livro comigo, vou tentar reproduzir em partes a idéia do autor: "Entre as teorias da criação divina do homem e a evolução através dos primatas, adoto uma postura relativa. Sei que o homem veio do macaco mas a mulher foi criada por Deus." É claro que uma criatura dotada de tamanha beleza só pode ter sido obra de uma inteligência superior, ou será que não, são só os hormônios e ferormônios agindo em meu cérebro e me dando essa falsa impressão, a mesma que um boi tem ao ver pastando aquela vaca roliça?

Numa sociedade ocidental evoluída, notamos que a mulher tem ocupado cada vez mais espaço ativo na vida comunitária. São notórios os casos de Dilma Roussef - a primeira "presidenta" do Brasil e da Juju Salimeni, eleita pela revista Vip a mulher mais sexy do mundo (aliás o mundo nunca mais foi o mesmo depois do surgimento das Panicats... meu Deus!) Porém, o que assisto agora, o que vejo e sinto, é que aparentemente nós homens deveríamos tomar um papel secundário na sociedade, meio que para pagar por todas as mazelas que "nós" (eu não tava vivo na época, mas tenho que sentir na pele o que meus antepassados fizeram) causamos a elas.

É estranho e há quem discorde. Todos dizem que homens e mulheres devem desempenhar papel igual na sociedade, mas não é bem assim. Vou dar uns exemplos: sou leitor de pelo menos três revistas masculinas (mas só UMA traz mulheres nuas...). Em todas elas, leio coisas do tipo:
Manual para conquistar aquela gata. Seja isso. Não seja aquilo. Ela não vai gostar se vocè fizer isso. Cozinhe aquilo, mas sem sujar as unhas. Depois conserte isso. Faça aquilo... Putz, com o tempo fui ficando meio neurado. Porque não existe nenhum conselho do tipo: seja você mesmo??? É legal ter um mínimo de etiqueta, entender da alma feminina, saber que, agora que elas tem direito de escolha, temos que ralar pra conquistá-las. Mas não dá pra ser um robô desse jeito, soa muito artificial!!!!

Me assusta como tudo o que diz respeito a nós homens, as coisas que gostamos e fazemos, tem tomado um valor secundário, quase pejorativo. A vida toda, as mulheres dizem que só falamos de sexo e futebol. Bom, eu detesto futebol, então devo falar só de sexo. Um homem falando de futebol é só mais um orangotango qualquer, agora uma mulher falando de futebol está mostrando que está conquistando espaço que até então era dos homens.

Falando de sexo então... sou um dos poucos caras que eu conheço que admite que fico impressionado com qualquer forma feminina, ainda que seja o manequim de uma loja. Às vezes paro e encaro algumas. Acho lindas. Ora, qualquer um poderia achar que é perversão, mas eu sou um HOMEM, porra. E homens de verdade são estimulados visualmente pelas FORMAS femininas, independente se de verdade, se numa revista ou num manequim. As mulheres também são assim com as formas infantis, que despertam nelas o instinto materno. Ainda que sejam filhotes de mamíferos ou bonecas, ou roupinhas de nenê, elas se sentem tentadas a pegá-las, embalá-las e protegê-las. Altamente valorizado na sociedade atual.

Enquanto um cara entra numa locadora pra ver filmes pornográficos é depravado, uma mulher que entra num sex shop está quebrando tabus. Somos condenados por não saber separar amizade com mulheres de romance, mas as mulheres são valorizadas por não separarem sexo de amor. Um homem deve saber cuidar da casa e dos filhos, saber cozinhar e lavar a roupa, mas ninguém exige que uma mulher troque pneus de carro, conserte o chuveiro ou troque o encanamento.

Me lembrei de uma garota com quem saí recentemente. Eu a conhecia a muitos anos e agora que me separei a convidei pra ir ao cinema. Ela demorou quase um mês pra aceitar meu convite, saímos, conversamos, andamos de mãos dadas, abraçados, mas quando ia lhe roubar um beijo ela me disse: "devagar, eu não tenho compromisso de te beijar. Se quisesse alguém com obrigação de ficar com você, contratasse uma garota de programa..." Quem em sã consciência fala uma merda dessa prum cara? Quer dizer que querer um beijo, depois de andar abraçado e tals, é depravação minha??? Aaaaaaaaaaaaaahhhh, não preciso contar o final da história...

Nos tornamos os vilões da humanidade. Por causa dos homens, existiram guerras, milhões de pessoas foram dizimadas. Mas por detrás dos grandes homens, os heróis, existiram sempre grandes mulheres.

Recentemente ainda descobriram que somos mais burros que as mulheres. Que temos neurônios a mais pra ter a mesma inteligência que elas. O pior é que não somos comunicativos, nossos dois hemisférios cerebrais não trabalham em conjunto, por isso não conseguimos fazer duas coisas ao mesmo tempo. Alguém já parou pra pensar que essa nossa capacidade limitada deu origem ao Cálculo Diferencial Integral, à Física e Química Quântica, à Astronomia e à Mona Lisa?
Que o Cristianismo, o Islamismo e o Kardecismo foram herdados de homens "burros"?
Que o avião, o relógio de pulso e os carros que dirigimos hoje vieram também dessa capacidade limitada? Também a eletricidade, os sistemas hidráulicos, a penicilina, a engenharia, a robótica... tudo isso saiu de cérebros trogloditas que só sabem falar de sexo e futebol...

Nós homens TEMOS um papel importante na sociedade moderna, e nossa condição de MACHOS deve ser assumida com orgulho. As mulheres não chegaram onde chegaram tomando à força o poder dos homens, somente a evolução da sociedade é que foi capaz de fazer com que ambos os lados aceitassem que devemos ser tratados, se não com igualdade, com equidade. Acredito no respeito às diferenças, não na luta entre os gêneros. Que as mulheres tem muitas virtudes, valha-me Deus, se tem, a começar por aquela que me trouxe a esse mundo. Mas todos os dias sou grato pela minha condição de HOMEM, na minha força e na minha fraqueza. Já molhei o vaso ao acordar de manhã, já fiquei de pau duro na hora errada, e de pau mole também...já gozei antes da hora, já tive pesadelo só de pensar no exame da próstata... já gemi de dores pelas quais mulher nenhuma daria a mínima, e já morri de medo de sentir as dores do parto mesmo sabendo que nunca vou ter e já me masturbei pensando em uma grande amiga, porque essas coisas são tipicamente MASCULINAS... TODO HOMEM faz isso e passa por isso, mas alguém pôs na nossa cabeça que temos que ter vergonha de dizer ou mostrar o que somos, quem somos e do que gostamos.

Já tá na hora de retomarmos nossa identidade, com orgulho do que somos, caramba. Daqui a pouco, do jeito que as coisas andam, somos nós quem estaremos apanhando das mulheres, e fazendo passeata em praça pública em prol da versão masculina da Lei Maria da Penha, a Lei João do Penhal... (kkkkk... essa em homenagem ao meu amigo do trabalho que citou pela primeira vez, Vítor Cézar...) Já vi amigo meu com vergonha de fechar o zíper em lugar público. Porra, pra mim, feio é continuar com ele aberto. Se não tem como fechar discretamente, fecha de qualquer jeito, mas FECHA! Já ouvi histórias de mulheres frustradas dizendo que saíram com um carinha, foram pro motel e o cara brochou. Até aí tudo bem, mas daí o cara, ao invés de tratar com naturalidade a situação, começa a se explicar, pedir desculpas, etc, etc. Cara, brochar é uma MERDA, mas só brocha quem tem pau pra levantar, e amigo, te confesso, se você ainda não brochou até hoje, com certeza brocharás! Porque é da gente, TODO homem brocha. Quando acontece comigo, faço piada, disfarço o nervosismo, tento outros meios de agradar à mulher, e boas. Sei que não sou o primeiro nem serei o último da vida dela que irá brochar... fazer o quê?

Então homens, levantem suas cabeças (de cima...) e assumam sua condição com o valor que ela merece. Pode ter certeza, esse é o melhor resultado para qualquer guerra entre os sexos, e as mulheres são as primeiras a agradecer...






quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A casa do Saci ou Uma Crônica de Fim de Ano

ADVERTÊNCIA: Essa crônica NÃO traz mensagens de paz e de Feliz Ano Novo. Por isso, se não quiser estragar sua festa, espere até o dia 2 de janeiro para lè-la.



Todos os átomos que constituem meu corpo surgiram a bilhões de anos atrás, no que os cientistas chamam de Big Bang, a grande explosão cósmica que deu origem ao universo como conhecemos hoje. Talvez por isso mesmo, embora cronologicamente nesse corpo eu esteja vivendo a menos de trinta anos, meus átomos guardam todas as "lembranças" do passado, o registro homeopático de como o mundo foi e tem sido desde que essa realidade existe...

Bom, é claro que um parágrafo como esse não poderia estar sendo escrito em horário melhor do que o a madrugada, pois como sabem aqueles que me lêem desde o início, eu tenho o dom de não dormir mais do que quatro ou cinco horas por noite, e agora mesmo, nesse exato momento, estou vivendo os primeiros trinta minutos do último dia do ano de 2010. E nesse clima de Natal e Ano Novo estou vendo tantas mensagens de esperança e fé que eu não poderia deixar passar em branco sem uma única crônica de fim de ano.

Meu Reveillon vai acontecer outra vez na casa dos meus pais, numa chácara de Esmeraldas, onde todos os anos desde que eles se mudaram pra lá toda a minha família se reúne para celebrar, claro, a união da família e o nascimento do menino Jesus. Minha filha, de cinco anos, com sua pureza singular, sente que a representação do nascimento de Cristo é mais importante do que a chegada do Papai Noel. Graças a Deus, minha mãe tem sido boa influència para a criança, porque ela ficaria horrorizada com os ensinamentos do seu progenitor. Sou do tipo de pai que tenta fazer uma menina de cinco anos entender o que é uma metáfora, o que acredito que é um diagnóstico claro de que, ainda que eu a ame mais do que tudo, não aprendi muita coisa no curso de Didática da Licenciatura...

Eu detesto o Natal. Detesto o Ano Novo. Que me perdoe o Menino Jesus. Que me perdoem aqueles que esperam ler mensagens de paz e esperança para o Ano Novo. Sei exatamente o roteiro, como tudo acontece, e me entedio sempre. Fico deprimido, sei lá. Até tentei mudar um pouco as coisas esse ano. Levei por exemplo uma mala com coisas das quais eu até conseguiria sobreviver na roça, por exemplo, meu par de chinelos novos, que ganhei de amigo oculto. Sempre deixo de levar chinelos pra casa dos meus pais, porque eles guardam centenas de pares velhos por lá que sempre servem para toda a família. Quero dizer, SERVIAM. De uns tempos pra cá, toda vez que qualquer pessoa vai procurar um par de chinelos pra quebrar o galho por algumas horas, ou dias, encontra pelo menos 489 chinelos... TODOS do pé esquerdo!!!!!!! É impressionante! Desde quando meus pais se mudaram e aquela casa se tornou a casa do Saci???
No fim das contas já me lembrei de pelo menos 78909 palavrões diferentes, cinco deles na língua árabe. Como uma família consegue se manter unida sem chinelos suficientes pra usar?

Então zarpei com meu par de chinelos novos, pois pelo menos um aborrecimento a menos eu teria. E lá fui eu celebrar a beleza da união em família, o valor dos ensinamentos e das virtudes, eu que a algum tempo desmantelei o que chamava de minha família, agora vejo meus primos e meus irmãos sonhando com uma vida futura de filhos, casamentos e riquezas financeiras, coitados, sem terem a noção de que infelizmente NÃO estarão ricos aos 30 anos.

Recentemente descobri que sou o grande exemplo de "filho que faz besteiras e se dá mal na vida". Minha tia me contou que sempre que o filho pensa em se casar ela diz: "olha o que aconteceu com Gustavo". Beleza, fico muito feliz em saber que sirvo de ensinamento pra todo mundo. Ninguém se lembra que, de todos da família, fui o primeiro a me profissionalizar, que trabalho desde os 18 anos, que trabalho na mesma empresa a oito anos e meio, e que de lá pra cá eu só acumulei promoções, aumentos de salário e até uma viagem pro exterior. E que já estou cursando minha segunda graduação. De repente a gente se torna um moleque. Minha mãe me diz que uso calças de moleque, que fico ridículo quando uso brinco. Porra, aos quinze anos ela me dizia que pra usar essas "porcarias" eu teria que trabalhar e ser independente, agora que trabalho e sou independente sou muito velho pra usar calças com detalhes e brinco na orelha?

Como se não bastasse, sou o irmão do filho caçula que vai se formar em medicina. Ele não tem nome nem identidade, todo mundo se esqueceu de quem ele é e agora só o vê como o "filho médico". Ruim pra ele, pior pra mim e pro meu segundo irmão que se graduou, fez Mestrado no Rio de Janeiro e ninguém sabe direito o que ele faz... Ah, ele tem quase trinta anos também, e não ficou rico...

Pois é, de repente o tempo passa, e eu percebo que estou cansado... Novo pra isso, claro, mas já perceberam como os jovens de hoje estão mais cansados, mais impacientes com tudo o que acontece no mundo? Parece que eles já viram o filme muitas vezes, mais do que nós, mais do que a geração anterior, que deveria estar mais cansada do que nós mas por incrível que pareça manifesta mais vitalidade, mais esperança, não sei em quê. E eu acho que são os átomos de bilhões de anos atrás conservando em nós a história, já nascemos de olhos abertos porque aprendemos antes de nascer, porque já vivíamos antes de viver...

Acostumamos a ver a vida como um ciclo, mas eu só vejo um contínuo movimentar-se para a frente. O ano é novo, mas eu só vou ficar mais velho. Continuo com os mesmos problemas e os juros de cartão de crédito não abaixarão no ano que vem. Os papéis sobre minha mesa estarão me esperando no dia 3 de janeiro, do jeito que deixei no dia 22 de dezembro. Não haverá ciclo, não haverá renovação. Só promessas que não irei cumprir, projetos que não irei concretizar. Por quê fazer promessas no dia 31 de dezembro? Por que não fazê-las no dia 26 de março, que é um dia como outro qualquer? Ou no dia 31 de julho, quando enfim completarei finalmente meus 30 anos (e não estarei rico)?

... (pausa para reflexão... entre o parágrafo acima e o parágrafo abaixo se desenrolaram uns bons dez minutos...)

Não, diante dos gritos de protesto dos meus leitores vou avisando: NÃO sou materialista, NÃO sou conformista e NÃO sou o cara que quer estragar a festa de quem acredita na renovação e quer compartilhá-la com aqueles a quem mais ama. Só que me incomoda, demais, essa indústria do "agora vamos mudar porque é a virada do ano". Porra, cara, a gente tem que mudar todo dia, não há um momento em que eu não sonhe com isso, e o fato do ano novo estar chegando não muda em NADA o meu estado de espírito. Só me incomoda é que AGORA todos queiram algo que a gente deveria pensar o ano inteiro. Ou querem ou são obrigados. Daí, dá-lhe torpedos, scraps e tweeds de feliz ano novo, que nesse ano que virá se renovem as esperanças e blábláblá... Meu, tem dias que a vida é uma MERDA, eu quero votos de esperança TODOS OS DIAS, preciso de palavras de conforto SEMPRE, assim como eu acho que posso (e deveria) distribui-las SEMPRE!!! Não só quando baixa o Espírito Natalino... sei lá quem é esse cara, de que Centro ele é, mas em mim ele não baixa não senhor. A única coisa que se torna evidente pra mim é que, ainda que em doses homeopáticas, meus átomos estão ficando cada vez mais cansados de milênio após milênio ouvir sempre as mesmas histórias desse ciclo linear que é a miserável existência humana...


Que todos os dias de 2011 sejam felizes pra vocês, mas como tenho certeza de que NÃO serão, assim como os meus também não, quero que saibam que podem contar comigo - pelo menos os mais próximos, porque nem todos eu conheço - e pra esses, gostaria de poder sempre contar com vocês.

E tomara, tomara MESMO, que todos vocês realmente tenham com QUEM contar... nos bons e maus momentos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

CRISTÃO HEDONISTA

As pessoas que me conheceram a alguns anos atrás se lembram de mim como um cara apegado às virtudes espirituais. Vindo de uma família tradicionalmente católica, abracei a religião dos meus pais com fervor. Tudo no universo pra mim era dividido em duas realidades distintas: as coisas do mundo e as coisas de Deus, e eu, é claro, aspirava as coisas do alto. Queria ser santo. Ou padre. Ou pelo menos uma referência para a juventude perdida da minha cidade natal, Pedro Leopoldo.

Algumas das pessoas que me conhecem hoje acham que sou arrogante, orgulhoso, porque não sou de conversas alegres o tempo todo. Mas não é bem isso. É que, pelo menos durante meu horário de trabalho, vivo estressado e ocupado demais para animosidades. Não sou arrogante, tampouco orgulhoso, mas dou valor ao que faço e me ressinto com as pessoas que não dão. Não dão VALOR... (é melhor esclarecer, porque o verbo DAR usado intransitivamente evoca sempre conotações pejorativas).

Já as pessoas que são mais próximas sabem que sou muito diferente do que já fui na juventude. Que tenho enorme controle emocional e estou sempre disponível para trabalhos árduos, exercícios físicos, estudos na madrugada, happy hours e sexo (não necessariamente nessa ordem!) Sabem que sou desbocado, e tenho um senso de humor de uma ironia ácida. Poucas coisas me abalam profundamente.

Às vezes acho que minha alma ficou perdida em algum ponto do passado... ou que foi vendida em algum acordo no qual não li as letras miúdas. Não que eu tenha me desvirtuado completamente do caminho dos meus pais. É claro que o fato de ter terminado um casamento de sete anos e não ter o menor saco pra assistir ás cerimônias religiosas de antes fazem meus progenitores perderem noites de sono, principalmente depois das cachaçadas que andei tomando no início do ano, mas não deixei pra trás tudo o que aprendi nos meus 21 anos em que convivi sob o mesmo teto que eles. Tudo bem que hoje acho que o que me fazia buscar a santidade antigamente era tão somente a falta de mulher, já que nesse quesito eu era um babaca de alta patente que não tinha coragem nem de falar uma merda de um palavrão. Tudo bem também que cinco anos estudando Letras na UFMG mudam nossos conceitos a respeito de fé, religião, aceitação e mais uma série de outros tabus, mas cara, não me tornei um poço de amoralidade, apenas mudei a minha forma de ver as coisas...

Hoje não me considero católico, porque se disser que sou católico vou ofender muitas pessoas boas que seguem rigorosamente essa fé. E pra mim, católico é aquele que segue a Igreja mesmo, de Roma, não é só aqueles mequetrefes que foram batizados, vão a casamentos e assistem às missas de vez em quando... mas não deixam de ir à mesas redondas ou enviar oferendas a Iemanjá... Não, não. Católico pra mim é o beato, papa hóstia, como são pejorativamente tratados, infelizmente, mas estes seguem fielmente a fé que lhes foi confiada. Nesse sentido, eu não sou católico porra nenhuma! Se me perguntassem hoje qual é minha religião, e eu tivesse saco pra inventar uma e administrar uma igrejinha qualquer (e de repente ganhar uma pancada de dinheiro) iria dizer que sou um Cristão Hedonista!!

“Mas que merda é essa?” Quase escuto o leitor dizer. É simples. O hedonista é aquele que vive em função do prazer, mas não necessariamente o prazer carnal. É claro que sem falsos moralismos. Já faz algum tempo que abracei o hedonismo como filosofia de vida. Mas não acho que por causa disso tenho deixado de ser cristão.

Mas não seria uma contradição? É claro que não. Pensa um pouquinho, Zé! Tudo o que a gente busca nesse mundo é uma inesgotável fonte de prazer. As pessoas abrem mão de riquezas, de tempo, de prazeres, até de SEXO, porque acham que vão herdar um paraíso depois que morrerem. Prazer eterno, é isso que todo mundo quer. Minha diferença é que quero prazer NESTA vida. Abrir mão do que o mundo tem pra oferecer em troca de um prazer que não conheço e nem sei se existe parece demais pra mim. Não rola. E antes que os críticos comecem a me acusar de superficialidade, vou logo sugerindo que revejam seus conceitos,

A equação é muito simples. O prazer que almejo não precisa ser imediato, pois a busca pelo prazer em 100% do tempo é claro que vai ao encontro de uma corrida desenfreada carregada de álcool, drogas, sexo irresponsável e no final disso tudo, morte. E das bravas. Com sorte... Não é assim que levo a minha vida. Quando tenho uma prova pra fazer, penso no prazer do aprendizado, no prazer de tirar uma nota alta, e isso me faz vencer meus limites para estudar por horas e horas a fio. Quando estabeleço metas reais em meu trabalho, não me importo de trabalhar dez, doze e até quatorze horas por dia, para conquistar o que eu quero. Ver um amigo realizar seus objetivos é motivo suficiente para que eu abra mão de meu tempo, da minha grana, até da minha saúde para colocá-lo no caminho que ele precisa.

Também quando minha saúde é abalada, minha sensação de prazer cai drasticamente. É claro, afinal de contas vou sentir dores, incômodos, meu ritmo de vida fica todo atrapalhado. Por isso vou me submeter a qualquer tratamento que me for profissionalmente orientado, tomarei o pior dos remédios, tomarei todas as injeções, irei no hospital mais inacessível, tudo para recuperar meu vigor, minha saúde.

Se me interessar por alguma gostosa, vou me aproximar dela, se a vadia não der a mínima, não vou me humilhar por causa dela, porque sei que de gostosas o mundo tá cheio. E a humilhação não vale a pena. No fundo, tudo funciona de maneira muito simples: se a recompensa vale a pena o sacrifício, eu encaro, se não, chuto o balde. Foi isso que me fez abrir mão de um casamento de 7 anos, puxa vida, porque já achava que nenhum sacrifício a mais traria as merecedoras recompensas. No fundo somos todos hedonistas, ainda que não sejamos todos cristãos. É natural, humano, instintivo. Mesmo praqueles que aspiram as coisas do alto, aqueles que acreditam fielmente que existe um paraíso esperando aqueles que suportam fielmente na carne as injustiças criadas por nós mesmos nesse mundo, o que pra mim é só uma forma que alguns encontraram para manter a ordem das coisas de forma que somente certas castas sejam privilegiadas... Claro que não vou me aprofundar nesse pormenor, pois aí já seria levantar outra polêmica, e correr o risco de me causar uma tremenda dor de cabeça... E esse sofrimento agora não valeria a pena.

Até meu próximo post.

Gustavo Jonathan Costa

“Porque a vida vale a pena hoje”.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Papillonfagia

Esse texto é desaconselhável para menores de 18 anos. Contém cenas de sexo explícito e linguagem forte.
Quando eu era criança sabia que existia alguma coisa errada comigo...
Sempre me senti diferente dos outros garotos, um pouco desajustado, desalinhado, sei lá...
Eu era gordo, tinha as pernas tortas, não gostava de praticar esportes... Sempre fui ruim de bola, não sabia andar no mato, não levava jeito com as bolinhas de gude.
Por outro lado, gostava de desenhos, gostava de ler revistinhas em quadrinho, gostava de escrever... Tinha uma letra redondinha, que invejava meus colegas na época, principalmente as meninas.
Tudo em mim me incomodava. Não era agressivo, não era brigão, nunca fui competitivo... Ressentia-me com o tamanho das minhas mãos, que eram (ainda são) bem pequenas, do tamanho "de mãos de moça" como sempre foram classificadas. Essa era dose! Na adolescência, surgiam alguns comentários dizendo que o tamanho da mão é proporcional ao tamanho do pau do cara, e eu sempre ficava com fama de japonês. Puta que o pariu! Mas poucas pessoas tiravam onda com a minha cara, eu falava pouco e brincava menos ainda, então acho que eles tinham medo que eu fosse me derramar de chorar e ir correndo contar pra "tia" caso alguém me fizesse mal.
Sempre me julgaram muito frágil...
Eu gostava de coisas não muito ortodoxas na minha primeira juventude. Fiz teatro, fiz dança, poesia... até alisamento de cabelo.
Uma vez, ainda bem jovem, ouvi alguém falar a meu respeito: "Cara, esse Gustavo parece viado!"
Eu não sabia o que era viado, e não existia o Google na época para que eu pudesse descobrir. Mas aos poucos fui conhecendo e percebendo alguns outros caras que também eram conhecidas como
viados. E eu pensei: Cara, eu devo ser viado mesmo!!
Os viados também eram chamados de mulherzinha, e não via nenhuma ofensa nisso. Acreditei por algum tempo que eu deveria mesmo ser viado, até que, um dia, eu descobri o que os viados fazem...
PUTZ!!! Aquilo não era pra mim não!!!!!
Com a descoberta da verdade sobre os viados, vieram também o amadurecimento dos hormônios masculinos, que graças a Deus sempre correram em abundância nas minhas veias. Meu corpo se encheu de pêlos, minha barba apareceu, as pernas engrossaram, assim como minha voz, e meu pau se desenvolveu mais do que minhas mãos... que continuaram pequenas (e peludas).
Depois que comi minha primeira borboleta (que é como eu chamo carinhosamente o órgão genital feminino... muito melhor que a rima...) saí do quarto, fui pro bar, pedi uma cerveja. Fiquei doidão, bati na mesa do balcão e gritei: Quero mais uma, porra! - NÃO que eu quisesse mais uma porra, mas a expressão anterior pode muito bem ser interpretada assim por alguns conhecidos meus, por isso é melhor deixar essa observação. Quando gritei, vi que muitos senhores que estavam ali presentes me olharam com respeito e admiração, e eu curti aquilo...
Comecei a curtir essas coisas de homem...
Falar de futebol (jogar nem pensar) sem entender porra nenhuma, beber umas dez cervejas e uma vodca e ficar doidaço (e ás vezes trocar as bolas e beber dez vodcas e uma cerveja - e ser carregado de volta pra casa), mexer com as gostosas na rua... Homem só pensa em mulher, é sempre aquela velha vontade de fuder com tudo, a bendita Síndrome do Pavo.
Descobri que quanto mais borboletas eu comia mais grave minha voz se tornava, mais magro eu ficava e pasmem, até meu desempenho escolar melhorava:
- Se vocès verem que o ãngulo formado pelo arco da circuferência é igual ao ângulo central, podemos encontrar facilmente qual é o raio dessa circunferência...
- Nossa Gustavo, como vocè sabe disso tudo?
- Ando comendo borboletas...
E então? Fim da história? De jeito nenhum. Ainda que tivesse descoberto que ser homem é do caralho, e depois de começar a achar que poesia é uma frescurada só (e isso foi depois de adulto, durante o meu curso de Letras...), eu não me tornei um ogro troglodita não. Porque eu AINDA detesto jogar futebol, admiro as mais diversas formas de expressão e - por que não? - aprendi que a expontaneidade dos viados - cujo termo não é politicamente correto - me ensinou e ajudou a me tornar mais honesto, brincalhão, menos preocupado com as críticas sociais e mais um monte de coisas que adquiri em minha convivência com amigos gays. Claro cara, quem estuda Letras, e faz Teatro, TEM amigos gays, é inevitável e deveras interessante. Muitas de minhas conquistas amorosas se devem ao fato de ter aprendido a conversar por horas a fio com uma gata sem tentar seduzi-la, o que me fazia me sentir relaxado e confiante. Essas coisas não se aprendem nas rodas dos brucutus.
Às vezes, as pessoas acham que, por conversar e andar com gays, também sou gay. E eu tenho que levar isso numa boa - não se faz um curso de Letras e Teatro sem que as pessoas não te considerem gay. Mas não sou. E não me ofendo, ora! Mas minha tara são as borboletas, as bundas empinadas, os seios salientes, as camisetas molhadas, as pernas, as coxas... ah, vá, tudo bem, depois disso tudo eu reparo nos olhos. E no cabelo. E naquela curvinha que desce nas costas e vai até a bunda empinada... hmmmm...
Com o advento dos meus 30 anos, esse aparente conflito de personalidade já deixou de ser um tormento na minha vida. Tudo bem, podia ser motivo de perder noites de sono pensando, "será qu eu sou gay? Mas é de mulher que eu gosto..." quando eu tinha lá meus 13 anos. Mas não hoje... tenho problemas muito maiores pra resolver - embora o resgate dos mineiros do Chile tenha eliminado alguns deles. Com a eleição de Dilma Roussef para Presidente do Brasil a partir do ano que vem, a busca por uma identidade é questão secundária... sou só um escritor maldito, sensível o suficiente para conseguir expressar em palavras aquilo que pensa e sente... e com um desejo insaciável de devorar borboletas... O resto é bobagem!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Síndrome de Pavo

A julgar pela quantidade de críticas (1), comentários (2) e pedidos (3) para que eu voltasse logo a escrever (total = ZERO), creio que minha ausência durante todo este mês (ah, nem notou?) tenha passado ligeiramente despercebida . Não importa. Continuo persistindo, como um legítimo maldito que sou, a registrar neste blog solitário minhas mal traçadas crônicas do meu (ou do nosso) dia-a-dia, enquanto minha inteligência assim me permitir...

Inteligência...
É dela que vou falar em breve, mas só gostaria de esclarecer um ponto: minha ausência de forma alguma se deu por motivo de falta de tempo ou inspiração, ou ainda por desacreditar da carreira artística... é claro que, como um modo de vida, seria insano insistir dessa forma, mas o fato é que com a limitação do meu uso da internet em casa, que é quando tenho meus picos de inspiração, minha capacidade de tempo e dedicação a este blog caiu muito. Mil desculpas a meus fiéis leitores.
Bom... nesses últimos dias venho me recuperando de uma fortíssima inflamação na garganta (cujas placas fiz questão de fotografar - interessados em vê-las, entrem em contato comigo), que me derrubou (quase literalmente). Febre, tontura, dores de cabeça, dores no corpo, calafrios, fora a dor de garganta... tudo de ruim eu tive durante esses dias. E, morando sozinho, acabei me descuidando de mim mesmo, é claro que fui ao médico, tomei remédios, mas cuidar da aparência e higiene pessoal tava longe de ser uma de minhas prioridades. Não conseguia nem pensar em mulher.
Então num daqueles singulares momentos entre a loucura e a razão, entre a psicopatia e a morte, eu tive uma revelação epifânica!!!! (tem horas que algumas expressões soam forçadas mesmo... ainda estou me recompondo)
O mundo... o universo... tudo o que somos, o que comemos... O cosmos... o plano astral... nosso conhecimento sobre céu e inferno, nosso conhecimento da história... o motivo pelo qual aquele bendito macaco quadrúpede resolveu andar de pé...
As escalas celestiais e as subatômicas, a ciência, a tecnologia, a história, a filosofia, a arte e a música...
As guerras, as revoluções, as inssurreições, as redenções...
O alfa e o ômega...
tudo isso só tem um motivo... uma única razão de ser...
E a resposta é: A MULHER GOSTOSA.
Tão simples como achar o delta em uma equação de segundo grau, a resposta para tudo o que gira no universo estava na mulher gostosa, não em uma mulher específica, mas numa personificação, um mito, uma idéia, uma alegoria profana do que representa a mulher em todas as sociedades existentes, existintes e existirentes (acabei de inventar esses últimos)
Como não poderia deixar de ser? O resumo de todas as paixões humanas, tudo o que queremos ser e fazer, resume-se no sentimento da vaidade, aquela paixão indomável que sentimos por nós mesmos... querer ser destaque na sociedade? PRA QUÊ?? Pra ganhar o quê?? Pra aparecer pra quem??? Pra ter poder sobre quem???
Desde o princípio dos tempos, tem mais MULHERES aquele que mais consegue ajuntar comida... E pra quê ajuntar mais comida?? ORA... pra ter MAIS MULHERES!!!! È claro!!!!
Acredito que na época dos nossos ancestrais das cavernas, a comida se estragava com muita facilidade, então era sempre preciso mudar de uma região para outra e estar sempre caçando e colhendo... Ora, só homens fortes, braçudos, que só sabiam grunhir, não tinham a menor paciência pra baixar a tampa do vaso depois de usar é que tinham capacidade pra isso... e pra levar aquele tanto de mulher junto. E não tenha dúvidas, neguinho tá catando a mulherada de todo mundo, pau nele, é morte na certa se o cara não ficar esperto... daí começam as guerras...
Aqueles mísseis sobrevoando o Afeganistão depois dos ataques de 11 de setembro são a representação fidedigna da sociedade humana de 300.000 anos atrás. Eu citarei alguns depoimentos de alguns soldados americanos que lutaram naquela guerra, alguns são reais, e apenas um é fictício. Exercite o leitor a sua criatividade ao imaginar o que se passava na cabeça de soldados e aeronautas americanos enquanto bombardeavam Cabul:
1) Esse Bush é mesmo um filho da PUTA!!!
2) Não devia ter saído sem ter dado aquela trepada com a vizinha... tsc..
3) Tomara que aquela vadia esteja ali no meio da cidade... Me trair com o General?
4) Quando a gente voltar vai comer mulher demais!!!
5) Abre as pernas pra mim, Cabul!!!
6) Faço isso em honra do meu país, pela justiça, e pela democracia!!! (kkkkkkkkkkkkkkkk)




Exagero?? Machismo? Feminismo?? De jeito nenhum senhores! Pura constatação científica. Respondam com a cabeça senhores, afinal de contas, o que é que na verdade nos faz querer o tempo todo fuder esse mundo com força? É a impossibilidade de não podermos fuder o tempo todo com as mulheres gostosas. Aí nossa energia tem que ser redirecionada, senão a gente enlouquece e vai querer ser químico. É a vida. Vamos sair por aí inventando aviões, carros, motos, prédios, elevadores, nanotubos, acelerador de partículas, remédios, livros e o que mais a capacidade hominiana for capaz de inventar. Tudo pelas mulheres gostosas. Aquela sonda que chegará em Plutão em 2015, está indo pra lá porque algum infeliz na adolescência pensou: se eu me tornar conhecido na comunidade científica, poderei comer quantas estagiárias eu quiser. É claro que, depois que ele entrou pro time, teve que se dedicar tanto pra fazer o negócio subir, que acabou se esquecendo que o que tinha que subir era o outro negócio. Pode até ser que ele tenha se recusado a sair com as estagiárias que ele aspirava porque se esqueceu dos seus fins, e acabou tomando seus métodos como um fim em si. Pobre rapaz!


Essa discussão é longa, merecia um livro, e (in)felizmente esse é um blog de crônicas. Sei que a tese levantada aqui, batizada por mim como a tese da Síndrome de Pavo (de pavão) poderá suscitar muitas discussões futuras, às quais me entregarei apaixonadamente, enquanto correr em minhas veias essa vontade louca de fuder com tudo!!!
Vale a pena escrever a Parte 2? Aguardo comentários...